Rio - Responsável pela versão mais famosa do ‘Sítio do Picapau Amarelo’ na TV, o produtor, escritor e diretor Geraldo Casé morreu ontem, às 15h35, de insuficiência respiratória, na clínica São Vicente, onde estava internado desde 12 de junho.
Pai da atriz Regina Casé, o diretor completou 80 anos no dia 7 de julho. A comemoração, ocorreu um mês antes, no Jockey Club, e reuniu famosos como Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Carolina Dieckamann, Paulo José, Caetano Veloso e Patrycia Travassos.
“Meu pai me ensinou a acreditar que a televisão no Brasil tem que ser tratada com o mesmo respeito que a literatura, a música, o cinema e o teatro, porque todos eles cabem na televisão. Respeitar a TV é respeitar o povo brasileiro, que tem nela não só o caminho para a informação, como para o conhecimento e a arte”, diz Regina Casé.
“Foi ele quem me deu uma chave-mestra para abrir todas as portas que abri na vida”, completa. “Eu e Regina começamos juntas no grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone. Ele sempre nos incentivou, doava figurinos para nossas montagens. Foi muito importante na nossa trajetória. Era uma pessoa muito querida”, conta Patrycia.
Casé passou pelas TVs Tupi, Rio, Continental, Excelcior e Educativa, criando programas importantes como ‘Teatro Malasarte’, ‘Fantoche Estrela’ — com bonecos confeccionados por ele — e ‘Um Instante, Maestro’. Mas sua realização mais conhecida foi a adaptação da obra de Monteiro Lobato, ‘Sítio do Picapau Amarelo’, na década de 70. A primeira versão do programa na Globo ficou 10 anos no ar.
“Propus ao Boni (então diretor da Globo) fazer uma novela para crianças e pré-adolescentes à tarde e ele adorou. Então, a Globo conseguiu os direitos da obra de Lobato e me chamou para produzir e dirigir o Sítio’, contou o diretor, certa vez. Geraldo Casé será enterrado hoje, às 16h, no Cemitério São João Batista.