Rio - O trio de rock inglês Muse, que se apresentou no Vivo Rio na noite de quarta-feira, não toca em rádio por aqui, nem tem música em trilha sonora de novela. Ainda assim, conseguiu lotar a casa de shows do Aterro e fazer uma espécie de micareta roqueira, com uma platéia que ia de jovens de camisetas pretas a senhores de cabelos brancos, todos igualmente seduzidos por seu espetáculo grandiloqüente. O público cantou junto boa parte das músicas tocadas em cerca de 90 minutos de apresentação.
Formado em 1994, o grupo de Matthew Bellamy (voz, guitarra e piano), Christopher Wolstenholme (baixo) e Dominic Howard (bateria) fica numa praia isolada entre o heavy metal e o indie rock, e um visual que remete aos espetáculos de arena dos anos 70, com imagens em telão, descargas de fumaça, balões gigantes e papel picado sobre os cerca 3 mil presentes.
O público conhecia bem o repertório da banda e fez coro empolgado para canções como ‘Knights of Cidonia’, que abriu o show, ‘Hysteria’ e ‘Invincible’ — esta última formatada para emocionar o público com sua levada marcial e o refrão que celebrava: “juntos somos invencíveis”.
Depois de 1h20 de show, que contou com a participação do tecladista Morgan Nichols, chamado para reproduzir os climas e bases eletrônicas do último CD do grupo, ‘Black Hole and Revelations’, a banda deixou o palco. Valorizou um pouco para retornar, e o baterista Dominic deixou aflorar de vez seu lado presepeiro ao surgir com cartola verde-e-amarela e bandeira do Brasil sobre os ombros. Nem precisava. Deixaram o palco sob aplausos e a saudação acariocada de seu nome: “olê olê olê olê, Musê, Musê!”