Rio - O espetáculo Olho de Lince, um tributo ao poeta Wally Salomão, em cartaz até hoje (quarta) no Teatro Rival, no Centro do Rio, emociona e promove o encontro incomum entre o "maldito", a poesia e a doçura. Capitaneado por Jard Macalé, que vestindo uma habitual camiseta azul com o símbolo do Super-Homem, dedilha e acaricia seu violão com acordes ora dissonantes, ora inquietantes, bruscos e delicados, mostra que faz muito bem não se prender ao convencional.
Brincando com alguns (poucos) elementos do cenário, fazendo caretas e dando sua interpretação única a algumas composições de Salomão, Macalé é a personificação de uma inquietude epilética que mexe com o "confortável" e faz muito bem ao Brasil.
Acompanhado da banda VulgoQinho &Os Cara e do filho de Wally - Omar Salomão - Macalé ainda recebe a doce presença de Adriana Calcanhotto, que consegue domar o ímpeto e o violão do "Maldito" em duetos impensavelmente belos.
Macalé é um personagem tão ímpar (não deixe de ver o documentário sobre ele - "Jards Macalé - Um morcego na porta principal" - que está em cartaz no Festival do Rio) que chegou a pedir desculpas ao público e a sua convidada após errar quase todo o arranjo de uma canção, que foi repetida de maneira impacável.
Fumando e se divertindo, Macalé parece mesmo o artista perfeito para homenagear o também louco parceiro Wally. O show ainda contou com versos do poeta sendo recitados pelo seu filho e a inspirada participação da VulgoQinho &Os Cara. Quem quer ter uma chance de ouvir composições como Anjo Exterminado, Olho de Lince, Nega Melodia, Revendo Amigos, Cobra Coral e Fábrica do Poema, não pode perder o espetáculo desta noite.
Serviço:
Olho de Lince - Tributo a Waly Salomão
Teatro Rival Petrobras (Rua Álvaro Alvim 33, Centro, tel.:2240-4469.)
Quarta, às 19h30
Ingressos: R$ 40