Rio - Quem quiser aprender a arte do cordel terá uma oportunidade imperdível. Os mestres dessa expressão folclórica, o cordelista e repentista baiano Bule Bule e o consagrado mestre xilogravador pernambucano Jota Borges, vão ministrar oficinas gratuitas para o público do evento Brasil Rural Contemporâneo, de quinta-feira a domingo, na Marina da Glória.
“O povo carioca vai ter o prazer de conhecer a verdadeira arte do sertão”, cantarola Bule Bule, que junto com Jota Borges vão contar a história do cordel no País, ensinar a arte da xilogravura e dar noções básicas do estilo fazendo a ligação entre a oratória, a escrita, a forma e os versos.
“O cordel é uma das mais importantes expressões artísticas do Nordeste. É literatura do passado, mas que tem lugar no presente. E os jovens têm que ter contato com essa cultura de raiz tão brasileira”, comenta Bule Bule.
Figura lendária na Bahia, Antônio Ribeiro da Conceição, nome de batismo de Bule Bule, 61 anos e 41 de carreira, é autodidata na literatura de cordel, arte que aprendeu ainda menino, inspirado na dura vida do povo do sertão.
“Graças a Deus nasci poeta”, reflete Bule Bule, que no evento lançará os cordéis ‘O Encontro da Aranha com o Reumatismo’, ‘A Grande Peleja de Bule Bule com Antonio Queiróz’, ‘Tancredo Vai Prestar Contas no Tribunal de Jesus’ e ‘O Encontro Sangrento de José Caso-Sério com Manuel Qualquer Hora’.
Maior xilogravador do Nordeste e um dos artistas mais celebrados nessa arte, José Francisco Borges, o Jota Borges, 72 anos, há quase 50 se dedica à xilogravura. “Escrevo, gravo tudo o que vejo e sinto o folclore, as lendas do cangaço e procuro inovar sempre nesta minha arte”, conta Borges, ansioso por dividir a oficina cultural com Bule Bule. “Será um encontro inesquecível”, garante o mestre.