Rio - Menos de um mês depois de a Universal Music ter reeditado 12 álbuns de Tom Jobim (1927 — 1994), sendo cinco na caixa ‘Brasileiro’ e sete em coleção avulsa que festeja os 50 anos da Bossa Nova, a Warner Music repõe em catálogo mais quatro títulos originais do maestro.
ALÉM DA BOSSA NOVA
‘The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim’ (1965), ‘A Certain Mr. Jobim’ (1967), ‘Urubu’ (1975) e ‘Terra Brasilis’ (1980) voltam às lojas em outra coleção dedicada aos 50 anos da velha bossa, embora a obra de Tom extrapole o universo bossa-novista.
Ao todo, são 14 álbuns originais do maestro — 15, se incluída a trilha do filme ‘Garota de Ipanema’ (1967), ou 16 se levado em conta o CD ‘Ella Abraça Tom Jobim’ (1981) — que, ouvidos em retrospectiva, atestam o caráter irretocável da obra do compositor. Uma genialidade que atravessou rótulos e moldou cancioneiro de contorno universal, embora enraizado no Brasil. Basta ouvir ‘Urubu’, álbum gravado por Jobim em 1975, com arranjos de Claus Ogerman, para identificar claramente a influência de Villa-Lobos na música de Tom.
‘Urubu’ ilustra fase em que o amor pela natureza norteava os discos do compositor, como já sinalizado em ‘Matita Perê’ (1973) e como seria reafirmado em ‘Passarim’, álbum de 1987 gravado com a Banda Nova e que exemplifica a sonoridade adotada por Tom em sua última década de vida.
Dos títulos originais, merecem especial atenção os dois discos americanos relançados esta semana pela Warner Music. São álbuns até então raros no mercado brasileiro.‘The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim’ foi o primeiro álbum feito por Tom para honrar seu contrato com a Warner americana. Foi feito na seqüência de ‘The Composer of Desafinado Plays’ — a estréia histórica de Tom em disco, em 1963, via Verve — e de ‘Caymmi Visita Tom’ (1964).
Reza a lenda que o próprio Tom não gostou dos arranjos de Nelson Riddle, o maestro de Frank Sinatra (1915 — 1998), mas o disco é belo. Embora Claus Ogerman tenha sabido entender melhor a economia pedida pela música de Jobim — como prova a reedição de ‘A Certain Mr. Jobim’, álbum de 1967 em que Tom lançou ‘Zíngaro’, a música que, ao ser letrada por Chico Buarque, passaria a se chamar ‘Retrato em Branco e Preto’. As reedições dos CDs de Jobim são o melhor da festa dos 50 anos da Bossa Nova. É o Brasil em tom maior.