Rio - Uma banda competente, um público animado e canções pop de alta qualidade. Não havia como a estréia do show da turnê Estandarte - último disco do grupo - desse errado. O Skank subiu ao palco do Canecão nesta sexta-feira com a intenção de testar as novas músicas sob o olhar do público carioca. A partida foi ganha pelo Skank até mesmo antes de entrar em campo, mas não foi uma goleada tão grande assim.
Na entrada cada um recebia um cartão com três "kit de bis" para escolher e votar por torpedo do celular, cada um com três músicas. Com isso, já se ficava sabendo que Resposta, Jackie Tequila, Canção Noturna, Te Ver, Pacato Cidadão, Tão Seu, Tanto, É uma Partida de Futebol e Esmola, só seriam ouvidas em um bis e, mesmo assim, seis delas não seriam tocadas.
Talvez por isso, talvez pela seqüência de (boas) músicas novas, mas que ainda não estão no "coletivo dos fãs do Skank", Samuel Rosa tenha precisado pular e utilizar toda a empolgação e alegria que eram evidentes, para tentar fazer o público pular o tempo todo.
Assista clipes do Skank
Mesmo com a volta dos metais (um trio acompanha o grupo), a grande maioria do repertório mirava na fase mais recente do grupo. Vou Deixar, Dois Rios, Balada do Amor Inabalável, Mil Acasos e Amores Imperfeitos, estiveram lado a lado com Beleza Pura, Vamos Fugir e umas poucas "velharias" como Garota Nacional.
O Skank é um dos poucos grupos nacionais que pode se orgulhar de não ter tido um auge. Eles tiveram vários e Estandarte tem tudo para se tornar mais um ponto alto da carreira, mas ficou claro que uma mistura maior de antigos (antigos mesmo) sucessos com as novas canções deixaria o público mais confortável. Afinal, com 17 anos de carreira e um público que vai de adolescentes até os casais de terceira idade, sempre vai ter alguém dizendo: "Eles não tocaram aquela", como disse o próprio Samuel. Talvez tenha mesmo faltado uma ou duas canções mais antigas no corpo do show.
O bis veio com Tanto, É uma Partida de Futebol e Esmola, uma segunda versão de Ainda Gosto Dela e, depois de um pedido em coro, Jackie Tequila. No bis também foi impossível não notar a alegria da banda com a recepção de Sutilmente (uma das melhores da nova safra, e que originalmente não estaria no set list).
R$ 10 contra a pirataria
Outra grande salva de palmas para o Skank vai por conta dos arranjos (quase todos bastante diferentes dos registrados em estúdio). Cenário e as participações especiais (Negra Li em Ainda Gosto Dela) e Chico Amaral, que uniu seu sax ao trio de metais, também foram nota dez.
Nota dez também para a barraquinha que vende camisetas, posters e CDs do Skank, montada na entrada do Canecão. Com os CDs sendo vendidos por R$ 10, não há razão para que alguém apele para a pirataria para ter algum material do grupo. O Skank pode ficar com a certeza de que o Estandarte foi fincado no coração dos fãs cariocas.
O grupo fica no Canecão até domingo (23/11) e o show merece ser conferido.
Serviço:
CANECÃO. Avenida Venceslau Brás 215, Botafogo (2105-2000). Sábado, às 22h; dom, às 20h30. R$ 20 (poltrona numerada ímpar, à venda apenas no dia do show), R$ 70 (pista), R$ 90 (poltrona par), R$ 100 (mezanino), R$ 110 (balcão nobre) e R$ 120 (frisa central). 15 anos.