Rio - Há 100 anos, surgia o sutiã. E apareceu já como peça redentora, libertando as mulheres dos incômodos espartilhos que aprisionavam desejos e suspiros. Neste século, o sutiã desempenhou vários papéis: foi ora mocinho, ora bandido. Artifício número um de mulheres pin-ups, estilo Jayne Mansfield e Marilyn Monroe, imperaram nos anos 40 e 50. Xingado de repressor, foi queimado na década de 60.
Resgatado pela cantora Madonna, virou instrumento de pura sedução e passou para fora. Cresceu e apareceu. Atualmente, existem versões para as mulheres siliconadas e para as que não têm seios grandes. Feitos de renda, de microfibra, com modelagem meia-taça, esportiva, bordado, com flores e cores, é indispensável sob e sobre a roupa. Há quem ame muito, faça coleção, use em todos os momentos; há quem dispense, queira ficar livre, leve e solta. Mas todas concordam que a peça mais feminina do guarda-roupa tem toque de proteção e sensualidade em altíssimo grau. Assim como as mulheres que o carregam.
EVOLUÇÃO DE RENDA
Segundo a pesquisadora de moda Paula Acioli, a história do sutiã reflete a história da emancipação feminina. “Na década de 20, por exemplo, as mulheres queriam esconder os seios. O sutiã era usado para esta finalidade”, conta ela. “A partir dos anos 40 e 50, quem brilha são as pin-ups e o busto volta a ser importante. Com Audrey Hepburn, surge um outro tipo de mulher, sem volume nos seios”, explica. Paula lembra também a importância da década de 60, que chega rompendo tabus. O sutiã é julgado e condenado. “O sutiã é encarado como repressor e queimado pelas feministas”, lembra a pesquisadora. Nos anos 80, surge nova mania que influencia a escolha do sutiã: as cirurgias plásticas e, mais tarde, o silicone. Também na década de 80, Madonna subverte a ordem das coisas e coloca o sutiã para fora, de maneira sexualizada, quase agressiva. “A atitude dela foi um divisor de águas, totalmente transgressora”, completa Paula. Graças à cantora, o sutiã hoje pode ser sedutor e fetichista, sem culpas.