Rio - Imagine o lugar dos sonhos, a roupa mais bonita, pense no ídolo que emociona, a música que diverte, visualize a musa inspiradora, a cerveja geladíssima e a comida saborosa, enfi m, aquilo que é tudo de bom. Saiba, então, como foi a celebração do 2º Prêmio TDB!, com patrocínio do Sesc Rio de Janeiro e apoio de Turismo Legal e Adventure, no Vivo Rio, segunda-feira.
Através de cerca de 50 mil votos, os leitores de O DIA deram o veredicto. A Marília Pêra coube o prêmio de Atriz, por sua personagem em ‘Duas Caras’. Na pele de Gioconda, a mãe de uma jovem branca de classe alta, que se apaixona e engravida do namorado negro e favelado, a intérprete emocionou o País, reproduzindo nuances do apartheid social em que o Brasil ainda se encontra. Com 65 anos, sendo 51 de carreira, Marília foi chamada de “deusa” por convidados antes de subir ao palco para ser homenageada. “Ao concorrer a um prêmio, a gente fica com o coração na boca. O jornal O DIA é sempre muito gentil comigo. Tudo de bom para mim são meus filhos, a vida, marido, família, trabalho, ética e solidariedade”, agradeceu ela.
Mais de 2 milhões de espectadores pararam para ver o talento de Selton Mello em ‘Meu Nome Não é Johnny’, o filme brasileiro mais visto de 2008. Não à toa, o ator e diretor – que, apesar de ter apenas 35 anos, já é a cara do cinema brasileiro – foi eleito o melhor na categoria Ator. Como um rapaz de família, ele levou os pais Selva e Dalton à premiação e a eles ofereceu sua conquista. “Quando somos crianças, sonhamos ser aplaudidos pelos pais. Então, você pode virar ator e levar isso a sério. É o que eu tenho feito até hoje”, disse Selton.
A cantora Ana Carolina também se emocionou. Vencedora em Som,ela subiu ao palco empolgadíssima, brincando com o apresentador Bruno Mazzeo, dizendo que ia cantar para ele ao telefone. “Eu adoro ganhar prêmio! É uma honra ser contemporânea desta geração da música brasileira. Estou muito feliz”, disse.
Outro momento fofo da noite foi protagonizado pela modelo Katy Rosa e pelo estilista Beto Neves, que receberam o prêmio de Moda pela AcomB, cooperativa de moda da Cidade Alta, que teve coleção assinada por ele no Fashion Rio, em janeiro. “Agradeço a oportunidade de passar seis meses na Cidade Alta. Foi superimportante, não só como estilista, poder ensinar às pessoas, resgatar a auto-estima delas, profissionalizar, trazer para o mercado gente que tem talento e até então não tinha oportunidade. Moda não dura só uma coleção, às vezes fica registrada para sempre”, discursou Beto, acrescentando que a modelo também era vencedora. “A Katy inspirou nossa coleção, é a nossa gata borralheira”, elogiou, ao lado da jovem de 22 anos, que enxugou uma lágrima com o discurso. Cria da Cidade Alta e bordadeira, ela estreou como modelo no desfi le da grife no Fashion Rio, edição de inverno.
Exemplo de mãe e cidadã, Lucinha Araújo é de casa quando o assunto é o Prêmio TDB!. A fundadora da Sociedade Viva Cazuza perdeu o prêmio Personalidade/Atitude Social no ano passado para o cantor e ativista Tico Santa Cruz, que a convidou a subir ao palco. Desta vez, Lucinha chegou lá: foi campeã na categoria. Gigi Carvalho, diretora-presidente do grupo O DIA, homenageou a mãe do cantor Cazuza. “Esse prêmio vai para uma pessoa guerreira, uma mulher que fez da dor da perda a motivação para sua luta”, disse Gigi, ao chamar Lucinha ao palco do Vivo Rio.
“A gente não trabalha para receber prêmio, mas gosta de ver o trabalho reconhecido. Estou superemocionada, vim mesmo porque eu adoro essa família O DIA. O Ary (Carvalho, jornalista e empresário, fundador do Grupo O DIA) me ajudava muito na Sociedade Viva Cazuza, era muito amigo do meu marido. E hoje (segunda-feira) faz uma semana que eu coloquei um marca-passo, estou de coração novo, estou bem. Foi por amar demais que o coração ficou fraco. Tudo de bom, para mim, é a cura da Aids. Queria dividir o prêmio com a equipe e, por fim, dizer: Viva Cazuza!”, declarou.
Prestes a completar 18 anos da criação da ONG que cuida de crianças portadoras do vírus da Aids e dá suporte para suas famílias, Lucinha tem enfrentado dificuldades para mantê-la por falta de doações. “Nunca passamos por problemas fi nanceiros tão grandes. Acho que a Aids saiu de moda, não se fala mais na doença, parece que ninguém mais morre por conta dela. O dinheiro que recebo dos direitos autorais da obra do Cazuza não cobrem 20% dos gastos da Sociedade”, lamenta ela, esperando que o prêmio traga novos voluntários.