Rio - Bruno Astuto lançou o desafio terça-feira, os competentes repórteres d’O DIA correram atrás e encontraram Carlos Henrique Lopes dos Santos, o ‘afilhado’ de Frank Sinatra. Nós levamos o ‘garoto’ — hoje com 40 anos — para o show de Frank Sinatra Jr., quinta-feira, no Vivo Rio. Frisson e emoção.
O show de Frank Sinatra Jr., herdeiro da Voz, foi magnífico. Aos 64 anos — a mesma idade que o pai tinha quando cantou no Maracanã, em 1980 —, o artista interpretou 27 canções, acompanhado por 35 músicos.
Um dos momentos mais marcantes foi o dueto com a cantora brasileira Marina de La Riva, com quem ele cantou ‘Girl from Ipanema’ e ‘Dindi’, ambas de Tom Jobim. Na platéia viam-se Lily Marinho, Rosamaria Murtinho, Stênio Garcia, o produtor Cláudio Gomes, o cônsul argentino Luis Eugenio Bellando, entre outras personalidades.
Mas o convidado mais ilustre era, sem dúvida, Carlos Henrique, o ‘afilhado’ brasileiro de Sinatra-pai. Quando veio ao Brasil para o seu show histórico no Maracanã, o astro pediu para conhecer o menino ao qual mandava mensalmente 19 dólares por estar inscrito no programa ‘Plano dos Padrinhos’, lançado por uma ONG que buscava padrinhos ricos para crianças carentes em países subdesenvolvidos.
Como contamos, o encontro de Carlinhos e Frank Sinatra foi rápido, no Rio Palace Hotel. Na época ele ganhou do cantor uma bicicleta e, em seguida, foi com a mãe, Cecília, ao maior estádio do mundo, assistir ao show do grande mestre da música norte-americana. Carlos Henrique chegou ao Vivo Rio acompanhado dos filhos, Bruno, de 12 anos, Jassom, de 14, das tias de consideração e da advogada Leiliane Santana, sua namorada há um mês (há três, ele ficou viúvo).
“Estou com a responsabilidade de criar meus filhos sozinho”. A matéria publicada com exclusividade pela coluna tornou Santos célebre do dia para a noite. “Muita gente me reconheceu da matéria", comemorou ele, que mora com os filhos numa casa humilde em São Gonçalo.
Carlos Henrique estava ansioso para conhecer o cantor. “Eu e meus filhos nunca tivemos a oportunidade de estar numa casa de espetáculos como a Vivo Rio. O único grande show a que pude assistir foi o do Maracanã”, revelou ele, que trabalha como vigilante de um banco e acompanhou todas as músicas marcando o compasso com os pés. “Graças a Deus, a fase ruim passou. Meu sonho é fazer o curso de especialização em Segurança do Trabalho. Eu vejo no estudo a necessidade (ele completou o 2º grau apenas ano passado). Pretendo me casar com Leiliane e ter mais filhos”.
O show acaba e Santos segue para o camarim, onde aconteceu o encontro. “A música que eu mais gostei foi ‘New York, New York’", disse. “Meu filho Bruno tem a mesma idade que eu tinha quando conheci pessoalmente o Frank Sinatra — 12 anos". Sinatra Jr. mostrou-se simpático, mas, a bem da verdade, não tem o mesmo charme nem a paixão nos olhos do pai: “Estou muito feliz. É um prazer conhecê-lo pessoalmente. Agradeço seu esforço de vir de tão longe para me assistir. Espero que tenha gostado do show”.
Carlos Henrique vibrou com o seu encontro com o artista. “Ele foi muito gentil. Gostei de tudo. Mas a gente fica meio deslocado porque não vive nesse meio. Eu me lembro vagamente daquele meu encontro com o Frank Sinatra. Eu era muito menino. Mas o encontro de hoje vou guardar na memória para sempre”.