Rio - A batida do violão é suave. O canto é baixinho. Mas a bossa nova tem repercutido em alto e bom som há 50 anos, desde que o banquinho, o violão e as músicas que rimam amor e flor deixaram os apartamentos da Zona Sul para ganhar o mundo, de salas de concerto a pistas de dança. E como o mundo não pára de dar voltas, amanhã bossanovistas de várias gerações se reunirão para cantar seu amor pelo Rio, num grande show em homenagem ao aniversário da Cidade, a partir das 19h, na Praia de Ipanema.
O clima será o de todo bom espetáculo do gênero: leve, intimista, bem-humorado. “Tom Jobim dizia que bossa nova é folia controlada”, lembrou a cantora Joyce, na última segunda-feira, em ensaio com antigos e novos companheiros de profissão, como Roberto Mensecal, Wanda Sá e a turma do grupo Bossacucanova. “Aqui tem Velha Guarda, Jovem Guarda e Média Guarda”, brincou Wanda. Além deles, o espetáculo unirá veteranos como João Donato e Leny Andrade a novos associados do “clube”, casos de Maria Rita e Fernanda Takai. A apresentação ficará por conta de Miéle e Thalma de Freitas, num espetáculo dividido por blocos, da pré-bossa de ‘Orfeu da Conceição’ (que marcou o encontro histórico entre Tom Jobim e Vinicius de Moraes) às misturas eletrônicas feitas nos últimos anos com a batida característica dessa música.
Radicado há quatro décadas nos Estados Unidos, Oscar Castro Neves aceitou participar do show pela camaradagem. “Nós sempre fomos uma ‘tchurma’ que curtia fazer música junto. Essa amizade permanece firme”, conta. Olhando em retrospectiva, Menescal se espanta com o sucesso perene da bossa. “Não planejamos nada disso.” Mas o fato é que, cinco décadas após ‘Chega de Saudade’ mudar os rumos da música brasileira, a bossa ainda dá o que falar, como diz a cantora Cris Dellano, que canta com o Bossacucanova.
“A gente viaja muito e o sucesso sempre é grande. É uma música que chega naturalmente às pessoas. Uma linguagem u niversal. E, carioquíssima, a bossa, eterna ‘Garota de Ipanema’ pede paz para o Rio. “A bossa nova é a grande contribuição brasileira para a paz mundial”, diz Joyce.