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17/1/2008 01:23:00

Análise identifica substância em borracha da Faber-Castell que pode causar danos à saúde

Priscila Belmonte e Tiana Elwanger

Rio - A menos de um mês do início das aulas, os pais foram surpreendidos com a notícia de que dois populares modelos de borrachas da Faber-Castell (a branca e a amarela com capa verde) oferecem riscos à saúde dos pequenos. Análise da Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) mostra que, em caso de ingestão, a substância pode provocar doenças, como câncer.

O teste, feito em dezembro e divulgado ontem, revelou que as borrachas contêm concentração 50 vezes superior ao índice de 0,1% indicado da substância ftalato (que costuma ser usada como aditivo em plásticos). A associação encaminhou a documentação com o resultado dos testes à Faber-Castell. “Até o fim da semana a empresa deverá receber os papéis. Ao conhecer os riscos, deve tomar providências imediatas”, afirmou Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste.

Segundo especialistas ouvidos pela entidade, a substância é altamente tóxica. “A ingestão do produto causa danos ao fígado, rins e pulmões. Ainda que pequena, existe também a possibilidade de câncer”, acrescentou Maria Inês. “As empresas são obrigadas a seguir normas de segurança estabelecidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e pelo Mercosul”, acrescentou Dolci sobre o nível excessivo de ftalato.

A Faber-Castell informou, em nota, que o único produto da sua linha no qual se encontrava ftalato era a borracha TK Plast e que, desde setembro de 2007, não utiliza mais a substância. A empresa afirmou ainda que espera receber os resultados para análise, não tendo por enquanto como atestar quais produtos foram submetidos a teste, sua procedência, lote ou qualquer outra informação a respeito. A empresa informou também que “nos EUA não há ainda uma determinação definida de restrição do ftalato e a Comunidade Européia, apenas como medida preventiva, recomendou a retirada desse componente da composição de produtos”.

Ao saber da notícia, a professora Ana Cláudia Simões ficou preocupada. “A lista de material da minha filha de 4 anos pede os produtos da Faber-Castell, inclusive a borracha. Mas não vou comprar por prevenção”, disse.

Ao todo, foram testados nove itens presentes na lista de material das crianças, como colas, canetinhas e guache, mas só as borrachas da Faber-Castell foram contra-indicadas pela Pro Teste.

Cuidados com o transporte

Além da matrícula e do material escolar, os pais costumam ter outra preocupação nesta época do ano: o transporte para o filho. Pegar dicas com outros pais e na escola é a orientação da Pro Teste. Os estabelecimentos costumam indicar uma empresa ou motorista autônomo de confiança.

Observar o trabalho do motorista também é importante. Deve-se levar em conta se ele pára em frente às escolas (e não na esquina), se tem delicadeza com as crianças, se respeita sinais de trânsito e faixas de pedestre, por exemplo.

E ainda se o veículo tem cintos de segurança individuais, pneus em bom estado, lanternas funcionando, além de habilitação categoria D do profissional. Verifique ainda se o motorista está credenciado na prefeitura, com selo atualizado no canto direito do pára-brisa.

Preços de itens podem variar até 1.000%

Gastar a sola do sapato e seguir algumas dicas antes de comprar o material escolar podem render boa economia. Segundo pesquisa feita pelo professor de Finanças do Ibmec Gilberto Braga, a diferença entre produtos pode chegar a 1.000% em alguns itens. “Uma caneta varia de R$ 1 a R$ 10. Não pesa muito no total, mas a diferença é de 1.000%”, alerta.

Em sua pesquisa por papelarias e livrarias do Rio, o professor também achou diferenças gritantes entre mochilas de mesma qualidade — o preço variou de R$ 30 a R$ 160 — e cadernos — R$ 8 a R$ 40: “O que costuma encarecer não é a qualidade, mas o uso de personagens que as crianças gostam, acabamentos luxuosos e fotos. O ideal é evitar levar o filho na papelaria e negociar para que ele escolha apenas alguns itens da lista”.

Quem deixou para comprar o material agora está sentindo no bolso o aumento dos produtos. O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da Fundação Getúlio Vargas, subiu 0,92% nesta semana, a maior alta desde maio de 2005.

A variação no preço de creches, escolas e faculdades particulares mais que dobrou desde o dia 7: de 0,82% para 1,77%. O material escolar (sem livros didáticos) subiu de 1,07% para 1,25%.

DICAS PARA A COMPRA

ECONOMIA
Como a coluna ‘De Olho no Seu Bolso’, de O DIA, antecipou no dia 6, os pais devem estar atentos para economizar na compra do material escolar. Formar grupos e procurar lojas que vendam por atacado ou concedam descontos é uma boa dica. Veja também se a loja tem convênios com empresas

LISTA DE MATERIAL
A relação tem de ser disponibilizada pelas escolas para que os pais possam pesquisar preços e decidir onde querem comprar o material dos filhos

EXIGÊNCIAS
Atenção à quantidade de material solicitada pela escola para atividades pedagógicas, como folha de papel. Coerência é fundamental. E produtos de uso comum aos alunos, como papel higiênico, não podem ser pedidos nas listas

REAPROVEITAR
Antes de sair comprando todo o material, veja se dá para aproveitar algum produto do ano anterior, como dicionários, e livros dos filhos e vizinhos. Isso também vale para o uniforme escolar

PESQUISA
Se o preço do uniforme estiver muito elevado, os pais devem fazer uma pesquisa com o custo em confecções e discutir a proposta com a direção da escola

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