
Brasília - O presidente do Banco do Brasil (BB), Antonio Francisco de Lima Neto, afirmou nesta quinta-feira que a instituição deve fechar no máximo 30 agências das 599 que a Nossa Caixa possui. O BB anunciou nesta manhã que acertou memorando de entendimento com o Estado de São Paulo para a aquisição do controle acionário do banco. O valor da operação é de R$ 5,386 bilhões.
"Não haverá sobreposição muito grande (de agências). O número de funcionários cresce em linha com o de depósitos", afirmou Lima Neto, que explicou que o total de funcionários vai crescer 16% e o de depósitos, 15%.
Sobre possíveis demissões dos funcionários da Nossa Caixa, o presidente do BB disse que "se vai haver ou não, é decorrência do processo."
A compra da instituição pelo Banco do Brasil ainda precisa ser aprovada pela Assembléia Legislativa de São Paulo. A empresa espera que isso ocorra até o final deste ano. Depois, a aquisição precisa ser aprovada pelo Banco Central (BC) e, por fim, será realizada uma oferta de ações (OPA), que está prevista para março de 2009.
Após a OPA, o BB espera que o processo de incorporação da Nossa Caixa demore 12 meses. Ao fim desse prazo, a marca deixaria de existir.
Juntos, os dois bancos vão ter maior potencial de crédito, porque a relação entre crédito e depósito da Nossa Caixa era de 38% e do BB, 157%. Unidos, a relação vai ficar em 135%.
"Teremos como assegurar o crédito com condições mais favoráveis, porque estamos entrando com maior potencial de alavancagem", disse Lima Neto.
O presidente do BB garantiu que não vai haver aumento de tarifas para os clientes da Nossa Caixa. "O Banco do Brasil é muito bem segmentado. As taxas de juro são adequadas. São dois bancos bons e a junção vai trazer benefícios aos clientes da Nossa Caixa", afirmou.
Lima Neto explicou que o BB tem cerca de 10 milhões de clientes que ganham até um salário mínimo, o que significa que não tem muita divergência entre a clientela das duas instituições.
Liderança
Sobre a liderança do mercado, que o BB perdeu recentemente para o Itaú Unibanco, Lima Neto afirmou que não quer voltar ao topo "a qualquer preço". "A liderança não será buscada a qualquer preço, só entraremos em ativos que forem interessantes".
O presidente do Banco do Brasil disse ainda que a crise financeira não atrasou nem acelerou o processo de aquisição. "Não trouxe nenhuma urgência, até porque nenhum dos dois (bancos) têm problemas de liquidez".
As informações são de Peter Fussy, do Terra