Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, José Serra, se reuniram ontem, no Palácio do Planalto, em Brasília, para discutir a fusão entre Banco do Brasil (BB) e Nossa Caixa. Estima-se que a aquisição da instituição paulista pelo banco custe R$ 7 bilhões ao governo federal. O montante terá que ser pago em dinheiro, em um prazo máximo de um ano, atendendo à exigência do governo de São Paulo.
As negociações para a compra da Nossa Caixa pelo BB começaram no início deste ano. Com a fusão, a soma de ativos dos bancos chegará a R$ 457 bilhões, segundo dados do Banco Central. Um dos principais atrativos do banco paulista são os depósitos judiciais, que giram em torno de R$ 16 bilhões. A fusão das duas instituições financeiras é uma tentativa de devolver ao BB a liderança entre os bancos do País, como adiantou Lula na última terça-feira. “O Banco do Brasil era o principal banco do Brasil. Com a fusão do Itaú e do Unibanco passou a ser o segundo no ranking. Nós queremos que o BB seja muito maior do que qualquer outra instituição no Brasil”, afirmou o presidente, após participar de almoço em homenagem ao presidente da Indonésia, Susilo Banbang Yudoyono.
Caso se concretize, a compra da Nossa Caixa ainda não será suficiente para devolver a primeira colocação ao BB, mas deixará o banco perto de alcançar o seu objetivo. No início do mês, foi anunciada a fusão entre Unibanco e Itaú, formando o maior banco do País e o maior grupo financeiro do Hemisfério Sul. Os ativos das instituições passam de R$ 575 bilhões — contra os R$ 403,5 bilhões do BB.
NA MIRA AGORA ESTÁ O BANCO DE BRASÍLIA
A aquisição da Nossa Caixa é apenas o início da batalha para o Banco do Brasil recuperar a liderança na lista das maiores instituições financeiras do Brasil. Outras compras estão sendo negociadas, como a do BRB (Banco Regional de Brasília) e a de metade do Banco Votorantim, pertencente à família Ermínio de Moraes.
Além das vantagens ao BB, a fusão com a Nossa Caixa favorece o governo de São Paulo, uma vez que José Serra ganhará bilhões e poderá investir nos seus dois últimos anos como governador. Serra já declarou que pretende se candidatar à presidência da República em 2010, disputando o posto com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. A forte atuação da Nossa Caixa em São Paulo também dará mais visibilidade ao BB naquele estado.