Genebra - A Organização Mundial do Comércio (OMC) reiterou sua rejeição à pretensão dos Estados Unidos de defenderem seus subsídios ao algodão, o que representa uma vitória ao Brasil dentro do organismo. A decisão é a resposta à apelação feita pelos EUA em fevereiro contra a decisão da OMC de condená-los por não terem aplicado a determinação prévia contra seus subsídios. A resolução acaba com um processo aberto pelo Brasil há cinco anos e permite ao país aplicar sanções comerciais contra os EUA por terem infringido as normas da OMC.
"Os EUA não agem em conformidade com o Acordo sobre Agricultura ao fornecer subsídios à exportação a produtos aos quais não deveriam ser outorgados e ao fazê-lo em excesso com outros", diz o texto divulgado nesta segunda-feira.
A disputa começou em 2003, quando o Brasil acusou os EUA por causa dos subsídios aos produtores de algodão, que prejudicavam os produtores brasileiros ao distorcer os preços internacionais do produto. Em março de 2005, o Brasil venceu uma disputa contra os EUA, cuja decisão final pedia aos americanos que introduzissem "ajustes administrativos" ou suspendessem os programas de crédito à exportação concedidos a seus produtores de algodão.
No entanto, os EUA não deixaram de distribuir subsídios nem modificaram seu sistema de distribuição de ajudas. Por causa disso, o Brasil decidiu abrir outra disputa, em março de 2006, para provar que a decisão da OMC não tinha sido aplicada e que as medidas protecionistas continuavam sendo implementadas. A OMC julgou a queixa e voltou a condenar os EUA, desta vez por descumprir o estabelecido, mas Washington apelou.
Na decisão de hoje, o Órgão de Solução de Controvérsias (OSC) especifica que os EUA não cumpriram as recomendações do órgão. "Especificamente, os EUA não cumpriram sua obrigação de estabelecer suas medidas em conformidade com o Acordo sobre Agricultura, nem sua obrigação de retirar os subsídios o mais rápido possível", diz o texto.
Em uma instância prévia à segunda denúncia, o Brasil pediu sanções no valor de US$ 4 bilhões, mas não as aplicou porque Washington se comprometeu a retirar os subsídios, coisa que nunca aconteceu - agora, espera-se que o Governo brasileiro o faça.
Na decisão do OSC, fica claro que a atuação dos EUA constitui, "no presente, um sério preconceito contra os interesses do Brasil".
Segundo o Ministério de Relações Exteriores, os EUA pagaram US$ 12,5 bilhões a seus cotonicultores entre 1999 e 2003, o que permitiu àquele país manter a segunda posição na produção mundial de algodão.
Com agência EFE