Rio - A crise no mercado financeiro mundial já começa a ter reflexos na liberação do crédito para a compra do imóvel. Bradesco e Itaú são os primeiros a elevar as taxas de juros do financiamento habitacional. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, HSBC, Santander e Real, por enquanto, mantêm as planilhas. Segundo o conselheiro da Ademi (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário), Rodolpho Vasconcellos, os bancos ficarão mais rigorosos para liberar essa modalidade de empréstimo.
“Eles devem alterar regras de prazos, comprometimento de renda e percentual financiado, além de ficar mais criteriosos para conceder o financiamento”, explica Vasconcellos. O Bradesco aumentou de 9% para 12% ao ano a taxa de juros para os imóveis avaliados em até R$ 120 mil. Antes, o banco oferecia taxa menor para essa faixa, que beneficia as famílias com menos poder aquisitivo. O Itaú unificou as faixas de valor do imóvel e elevou os juros para 12% ao ano mais TR (Taxa Referencial) — imóveis de R$ 62.500 até R$ 350 mil.
Para minimizar o impacto, o Itaú passou a oferecer taxa de 11,5% ao ano para quem optar por débito em conta e tiver pontualidade no pagamento. O prazo de contrato é de até 25 anos. O valor mínimo de financiamento é de R$ 50 mil; e o máximo, de R$ 245 mil. O empréstimo chega a 80% da avaliação do imóvel.
CAUTELA NA LIBERAÇÃO
Desde 2005, os bancos criaram faixa de juros de acordo com o valor do imóvel. Em média, eram três — unidades de até R$ 120 mil, entre R$ 120 mil e R$ 200 mil e de R$ 201 mil até R$ 350 mil. O governo foi um dos principais incentivadores do escalonamento, criando estímulos para as instituições que operassem com o modelo. É bom lembrar que esses contratos são assinados pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação), que estabelece que os juros não ultrapassem 12% ao ano mais TR.
O HBSC manteve as condições, mas está mais cauteloso para liberar o crédito imobiliário. Dentre as opções que o banco oferece, está a Credimóvel — linha com juros prefixados.
O HSBC também financia até 80% do imóvel. A renda mínima exigida é de R$ 1.500. Balanço do banco revelou que, de janeiro a agosto, a média mensal foi de 394 contratos. Em setembro, saltou para 483.
CAIXA FINANCIA EM ATÉ 30 ANOS
A Caixa Econômica Federal está oferecendo as mesmas taxas de juros para o crédito imobiliário. Os percentuais variam de 6% a 12% ao ano mais TR. Além disso, a Caixa mantém os incentivos de juros menores para quem optar por débito em conta ou pelo pacote básico do banco (inclui cheque especial e cartão de crédito). Nesse caso, são para os contratos financiados com recursos da caderneta de poupança. A Caixa financia até 100% do imóvel.
O prazo de pagamento é de até 30 anos. Segundo a instituição, não há indicativo de alteração das condições de financiamento. No Banco do Brasil, o quadro se repete. As taxas continuam as mesmas, desde que o BB passou a oferecer linha própria de crédito imobiliário. Para imóveis até R$ 120 mil, a taxa é de 8,90% ao ano mais TR. Na prefixada, o percentual sobe para 11,90%. Acima de R$ 120 mil e até R$ 350 mil, varia entre 10% e 12,36% ao ano.