Rio - A crise financeira internacional não adia o sonho do brasileiro com a casa própria. Para se ter idéia, somente a Caixa Econômica Federal tem liberado, em média, R$ 100 milhões por dia em contratos de financiamento imobiliário. O dinheiro da poupança e do FGTS garante os negócios. De janeiro a setembro, o banco já emprestou mais de R$ 17 bilhões do orçamento habitacional (igual a todo o volume do ano passado, que foi de R$ 17,4 bilhões). No período, o crescimento é de 55%.
Os números foram anunciados ontem pela presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio. Segundo ela, a instituição espera fechar o ano com R$ 22 bilhões em Habitação. Maria Fernanda garante que as taxas de juros e as condições para o acesso ao crédito serão mantidas. “Vamos continuar liberando os recursos. Não temos porque reduzir os contratos imobiliários. O déficit habitacional no País é muito grande, mas a massa salarial está crescendo, ou seja, há demanda”, explicou a presidente da Caixa.
Ela comentou ainda que a captação líquida da poupança foi de R$ 8,5 bilhões e que o recolhimento do FGTS para a conta vinculada dos trabalhadores também está aumentando. Essas são as principais fontes de recursos para financiar a casa própria no Brasil. A Caixa oferece empréstimo de até 100% do valor do imóvel. O prazo de pagamento pode chegar a 30 anos e as taxas de juros variam de 6% a 12% ao ano mais TR (Taxa Referencial). O banco também opera com a taxa prefixada.
Na Carta de Crédito FGTS, o imóvel tem que custar até R$ 130 mil e a renda máxima é de até R$ 4.900. A modalidade permite a compra de unidades novas, usadas e na planta. Quem for cotista do FGTS ainda tem redução de meio ponto percentual nos juros anuais. Nessa linha, os interessados não podem ter imóvel próprio. A garantia da operação será a alienação fiduciária, que permite a retomada do bem mais rápido em caso de inadimplência. Também foi criada com recursos do Fundo de Garantia, a linha Pró-Cotista, voltada para quem recebe acima de R$ 4.900 — juros de 8,66% ao ano mais TR. Nesse caso, o orçamento é de R$ 1 bilhão.
Outra opção é o empréstimo com dinheiro da poupança, conhecido como Carta de Crédito SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo). O financiamento chega a 80% do valor do imóvel, avaliado em até R$ 350 mil, e o limite de crédito é de R$ 245 mil. O contrato é assinado pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação), que limita a taxa de juros em 12% ao ano mais TR.
Em função da crise internacional, Itaú, Bradesco e Unibanco foram os primeiros a elevar as taxas de juros no financiamento imobiliário. Real, HSBC e Santander mantiveram as condições.
Ajuda preventiva ao segmento de construção civil
A presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, afirmou ontem no Rio que a iniciativa do governo federal de ajudar a construção civil é preventiva. “A crise ainda não atingiu o setor. Estamos estudando criar uma outra linha para as empresas. Outra hipótese é customizar as que já existem”, disse Maria Fernanda. Atualmente, a Caixa oferece a modalidade de Apoio à Produção.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-Rio), Roberto Kauffmann, a crise não está afetando as pequenas e médias construtoras, que são mais de 100 mil no País. “O problema está nas construtoras que abriram capital e focaram na compra de terrenos formando o ‘land bank’ (banco de terras). Agora, com a crise, estão um pouco mobilizadas e não têm como lançar seus empreendimentos na mesma escala dos últimos anos”, explicou Kauffmann, que também participou do evento na Cidade de Deus.
Ele adiantou que no dia 29 será votado no Conselho Curador do FGTS o orçamento para Habitação em 2009. A previsão é que sejam aprovados R$ 16 bilhões: “Esse é o montante inicial, mas nada impede que durante o ano haja suplementação para fecharmos em R$ 20 bilhões”. A Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário) prevê aplicar R$ 30 bilhões em financiamentos com dinheiro da poupança até dezembro.