Rio - Símbolo de status e cada vez mais presente na carteira dos consumidores de baixa renda, o cartão de crédito traz facilidades, mas geralmente não é a melhor alternativa para ir às compras. O chamado dinheiro de plástico sai caro para os lojistas, que, muitas vezes, cobram a mais dos clientes pelas compras no crédito ou não oferecem os descontos que dariam aos que pagam em dinheiro, cheque ou mesmo no cartão de débito. Além do custo da anuidade, o consumidor se vê diante dos juros mais altos do mercado se deixar de pagar a fatura em dia.
“As taxas cobradas pelas operadoras de cartão de crédito giram em torno de 4%, 5%. Hoje, com a inflação em alta, o lojista é ainda mais prejudicado porque recebe o dinheiro defasado, um mês depois da data da compra.
Por isso, muitos estabelecimentos dão desconto em compras à vista ou estimulam o uso do cheque”, afirma Aldo Gonçalves, presidente do CDL Rio (Clube de Diretores Lojistas do Rio) e do Sindilojas-Rio (Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio).
Economista do CDL, Fernando de Mello faz coro: “O cheque, geralmente, é mais vantajoso para o consumidor. Ele, quase sempre, consegue passar o pagamento para 30 dias e dividir em várias vezes. Para adiar a fatura no cartão, é preciso que a compra seja feita 30 dias antes do vencimento. Além disso, vários estabelecimentos dão desconto para pagamentos à vista”, lembra. “Outra vantagem é que, se houver algum imprevisto, é possível falar com o lojista para não depositar o cheque no dia acertado. Se ele deixar de pagar no cartão, terá que desembolsar juros altíssimos”, alerta.
Dona de ponto no Camelódromo do Rio há 14 anos, Valdenice Silva, 40, passou a aceitar o plástico para ganhar clientes. Mas cobra mais de quem paga no crédito: “O preço das etiquetas é o valor para pagamento com cartão de débito. Se comprar no crédito, sai 5% mais caro. Se a pessoa quiser pagar em dinheiro, dou desconto. Pago R$ 79 por mês pelo aluguel da máquina da Visa e R$ 39 pela da Mastercard”.