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28/08/2008 04:35:00

Conta no vermelho leva à pechincha

Pesquisa revela hábitos de consumidores, como os do Grande Rio, que buscam promoções graças ao descontrole financeiro

Rachel Vita


Rio - O Grande Rio é o campeão da pechincha e do lazer, mas também do descontrole financeiro. Pesquisa realizada pela LatinPanel revela que a região tem o menor tíquete médio de compra do País por apresentar o maior rombo no orçamento doméstico. Como gasta-se 10% a mais (R$ 1.624) do que a renda familiar (R$ 1.471), o jeitinho encontrado pela população foi comprar mais as promoção — média duas vezes maior que a nacional — para manter, em seus orçamentos, o mesmo o mesmo ritmo de consumo, de 2006.

No País, o consumo aumentou 1% e os gastos, 6%. Mas houve equilíbrio melhor nas contas das famílias que, com exceção do Grande Rio e da Grande São Paulo, fecharam a conta no azul. “O custo de vida das grande metrópoles é mais caro”, lembra Patrícia Menezes, coordenadora de comunicação da LatinPanel, especializada em pesquisa de consumo.

Os dados, coletados em 8.200 domicílios do País em 2007, mostram ainda que o Grande Rio aumentou em 10%, na comparação com 2006, a cesta formada por alimentos, higiene, limpeza e bebidas, apesar de ter o tíquete (R$8,42) menor que a média nacional (R$ 10,83).

Outros destaques foram apontados por Patrícia para a região. A alimentação fora de casa ficou 10% maior que a média nacional. Os moradores também gastaram mais com diversão: cerca de R$ 64 por mês com casas noturnas, shows e jogos, valor 22% maior do que a média do País.

A população do Grande Rio é formada principalmente por pessoas da classe C (40%). Segundo a pesquisa, as famílias das classes A e B respondem por 27% e D e E, 34%. Pelo menos 84% dos lares têm no máximo quatro pessoas. Outros 35% são representados por casas independentes: com pessoas que moram sozinhas ou casais sem filhos, maior percentual entre todas as regiões.

A secretária Erika Oliveira Rachel, 22 anos, é consumista assumida e tem dificuldade de controlar o orçamento. Com a conta sempre no vermelho, foi obrigada pela família a acabar com os cartões de crédito e o cheque especial para evitar novas compras de eletrônicos, roupas, bolsas e calçados.

“Mesmo assim, pego emprestado. Não resisto. Adoro uma promoção”, conta Erika, que diz ter fechado, pela primeira vez, este mês no azul. “Tenho trabalhado o meu descontrole financeiro no analista”, admite.

No interior do Rio, Minas Gerais e Espírito Santo, a situação é diferente, aponta a pesquisa: o gasto (R$ 1.488) é menor do que renda média (R$ 1.600) maior do que a do Grande Rio.

Alimentação é o que mais pesa

No País, o consumidor se mostrou mais responsável na hora de comprar. A renda média do brasileiro apurada pela pesquisa em 2007 foi de R$ 1.463 ante um gasto médio mensal de R$ 1.417. Apesar da predominância da baixa renda, os níveis de consumo cresceram em todos os sentidos de 2006 para 2007, de acordo com a Latin Panel.

A cesta de alimentação continua sendo a que mais pesa no bolso do brasileiro, respondendo por 48% do total de gastos. As bebidas, com 26%, ficam em segundo lugar, seguidas por higiene (17%) e limpeza (9%).

A Grande São Paulo é a que mais se destaca no consumo do País. O tíquete de R$ 9 é menor do que a média nacional, mas o gasto médio mensal é 15% superior ao resto do País. Lá, tem o maior percentual das classes A e B. O interior paulista tem o tíquete de R$ 13.

A Latin Panel também identificou a expansão da região Centro-Oeste, graças ao agronegócio; o aumento no Norte e Nordeste e ainda o maior crescimento do consumo no Sul do País, 10% a mais no volume de compras.

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