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07/03/2009 20:57:00

Corte, reduza e negocie

Crise financeira global exige mais cuidado e atenção no equilíbrio do orçamento doméstico

Priscila Belmonte


Giselle e Edson Serejo comemoram a aquisição do apartamento: “A economia, de R$ 18 mil, foi usada na reforma”. Foto Fábio Gonçalves / Ag. O Dia

Rio - Em meio à crise mundial, que jogou a economia em trevas, a luz está no corte de gastos, na redução de despesas e na negociação de dívidas. Esses mandamentos estão na ordem do dia, segundo especialistas em finanças pessoais e domésticas. Para se evitar a inadimplência, o primeiro passo é rever todo o orçamento familiar — item por item, real por real, centavo por centavo. Na segunda-feira haverá chat ao vivo, no site, a partir das 11h. Leitores que quiserem enviar suas dúvidas podem escrever para o email nobolso@odia.com.br.

O hábito de anotar tudo o que se gasta, de acordo com os consultores ouvidos por O DIA, é fundamental para para proteger o bolso e a conta corrente. E foi o que livrou a autônoma Verônica da Rocha e Silva, 47 anos, de se endividar descontroladamente. “Tentamos, por exemplo, não gastar mais do que no mês anterior no supermercado”, diz Verônica.

Os choques da crise prejudicaram a renda da família de Verônica Silva, que caiu de R$ 10 mil para R$ 7 mil em janeiro deste ano. “Ainda estamos nos adaptando a esse novo padrão de vida. Mas sei que teremos que fazer cortes”, admite. Com ela, moram o marido, o empresário Nilton Fernandes Moreira, 72 anos, e as filhas Deborah, 15 anos, e Rachel, 11. Nilton lembra que há algum tempo, por gastar sem limites, ficou muito endividado. “Não sabia usar meu dinheiro. Mas consegui pagar tudo e recuperar o orçamento. Quem tem empresa tem que ter o nome limpo”, lembra.

Segundo o especialista em Finanças Marcos Crivelaro, gastos com cartão de crédito e lazer devem ser cortados de imediato. Despesas com educação, alimentação, saúde e transporte são essenciais. “A TV a cabo pode substituir as idas ao cinema. Outra sugestão é fazer as refeições em casa em vez de ir a restaurantes”, orienta.

A lista de gastos pode ser feita no computador, em uma planilha, ou mesmo em uma folha de papel. Segundo Gilberto Braga, professor de Finanças e economista do Ibmec, o importante é descrever todos os tipos de despesas (do aluguel ao barzinho). Daí, deve-se listar duas colunas: A (Despesas) e B (Receitas). Se o valor total das despesas ultrapassar o da renda, então é hora de fazer um novo planejamento, avisa o especialista. Gilberto afirma que, para reequilibrar o orçamento pessoal ou familiar, só há duas maneiras: aumentar os ganhos ou diminuir as despesas.

“O problema é que aumentar a receita é muito difícil em momentos de crise, embora não seja impossível (arrumar um segundo emprego, revender cosmésticos e roupas, vender comida no fim de semana)”, argumenta. O lazer deve ser o primeiro da lista de cortes. “Diminuir as saídas nos fins de semana é uma boa estratégia”, ensina Gilberto. Se não for suficiente, segundo ele, o jeito será cortar despesas fixas, o que pode implicar até mudar de residência.

Mesmo que falte dinheiro para as despesas fixas, Roberto Vertamatti, diretor-executivo de Finanças da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), faz alerta: não é recomendável usar cheque especial e nem financiar a dívida no cartão de crédito. “Essas taxas de juros são muito altas. No caso do cheque especial, podem chegar a 140% ao ano. No do cartão, giram em torno de 240% ao ano”, afirma Vertamatti.

Inadimplência cresce em 2009

Dados da Fecomércio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro) revelam o aumento da inadimplência no Rio: de 23,3% em janeiro de 2008 passou para 26,3% em janeiro deste ano. As principais contas em atraso são as de energia elétrica (45,7%) e telefone (53,5%).

Segundo a Fecomércio-RJ, o número de contas atrasadas na telefonia celular cresceu de 3,8% para 4,1%, na comparação de janeiro de 2009 com o mesmo mês do ano anterior. Dos devedores, 52,5% pagam financiamento: cartão de crédito (57,7%), carnê (33,4%) e financeira (27,4%), entre outros.

A inadimplência não aumentou só no Rio. Estudo do Banco Central revela que os brasileiros começaram o ano mais endividados em todo o País. Em janeiro deste ano, o percentual de devedores foi de 8,3% — contra 7,1% em janeiro de 2008.

Apesar das ameaças de recessão na economia, a crise financeira não afetou o volume de crédito no Brasil. Pesquisa do Banco Central mostra que subiu o número de concessões de crédito a pessoas físicas. Em janeiro de 2009, o montante chegou a R$ 272,7 bilhões — em janeiro de 2008, o volume foi de R$ 246,3 bilhões.

Na segunda-feira haverá chat ao vivo, no site, a partir das 11h. Leitores que quiserem enviar suas dúvidas podem escrever para o email nobolso@odia.com.br.
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