Rio - Quem comprar imóvel financiado pela Caixa Econômica Federal terá desconto de até 1% na taxa de juros se optar por débito em conta. A economia chega a 8,3% nos empréstimos de R$ 40 mil e de R$ 104 mil, em 30 anos. Nesses dois casos, a redução mensal varia de R$ 29,17 a R$ 75,87 — ou R$ 10.501 e R$ 27.313 no fim do período. O benefício vale somente para os contratos com recursos da caderneta de poupança, ou seja, pelo SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo).
Na modalidade, o financiamento máximo é de 80% do valor do bem. A Caixa divide os valores a serem financiados em três faixas. A primeira é para as unidades até R$ 130 mil. É nesse caso que os juros caem 1% — são de 10% no boleto bancário e de 9% no débito em conta.
A segunda faixa inclui imóveis entre R$ 130 mil e R$ 200 mil. A taxa no carnê é de 11% ao ano e, no débito, cai para 10,5% (redução de meio ponto percentual). Na última faixa, de R$ 201 mil a R$ 350 mil, os juros são de 12% e caem para 11,5%. Todos os contratos são corrigidos pela TR (Taxa Referencial). A medida vale tanto para financiamentos assinados no SFH (Sistema Financeiro de Habitação), com avaliação do imóvel limitada a R$ 350 mil, quanto para unidades acima desse valor.
Para esses empréstimos, os juros são de 13% no boleto bancário e de 12,5% no débito em conta. O percentual financiado é de 70% e o prazo de pagamento chega a 15 anos. Os bancos privados cobram as parcelas do contrato habitacional no mesmo modelo, mas não aplicam esses descontos.
De acordo com cálculos do economista e professor do Ibmec Gilberto Braga, quanto menor a faixa de taxa de juros e mais longo o prazo de financiamento, maior é a vantagem no débito em conta. “Para quem sabe que terá recurso em conta corrente, o desconto vale muito a pena. Além de representar a comodidade de não esquecer o prazo e ficar sujeito a multas e juros por eventuais atrasos, o desconto financeiro é representativo, equivalendo em muitos casos ao valor do IPTU em parcelas mensais ou o do condomínio”, explica.
Nos contratos com taxa de juros prefixada, a Caixa também oferece desconto para os mutuários que optarem pelo débito em conta. Para imóveis até R$ 130 mil, os juros são de 12,9% ao ano no carnê e de 11,9% por débito em conta. O pagamento por esse modelo tem que ser comunicado antes da assinatura do contrato.
Mais de 1 milhão de jovens mutuários
Pesquisa da Caixa revela que, nos últimos 10 anos, a faixa etária do mutuário na instituição mudou. Antes, o financiamento da casa própria sempre era feito por clientes mais velhos. De lá para cá, o perfil é outro. Mais de 1 milhão de mutuários têm até 30 anos de idade.
Em 1997, essa faixa etária representava 20%. Já em 2002, o número passou para 44%, e fechou 2007 em 36% (115.427 contratos). Também para essa faixa etária, a taxa de juros média foi de 7,28% ao ano mais TR. O período de financiamento ficou em 144 meses (12 anos). O valor médio da carta de crédito foi de R$ 21.100.
Quem se encaixa nesse novo perfil é o casal Flávia Nunes, 24 anos, e Daniel Lee, 27, que comprou no ano passado apartamento na planta no Recreio dos Bandeirantes. “Não tínhamos a obrigação de pagar aluguel e percebemos que as condições estavam mais acessíveis para a compra do imóvel. Por isso, resolvemos investir na casa própria. Daí, vendemos o carro para usar como entrada”, lembra Flávia.
Economistas recomendam que o valor da prestação do crédito imobiliário represente até 35% do salário do mutuário. Segundo eles, fatores, como a estabilidade econômica, a queda de juros nos financiamentos, o aumento na oferta de crédito, a flexibilidade das regras para comprovar renda e a permissão de junção de várias rendas de pessoas da mesma família, contribuem em muito para esse novo cenário.