
São Paulo - O dólar caía cerca de 2,5% nesta terça-feira, pela segunda sessão consecutiva, em meio ao cenário internacional um pouco mais otimista, que se traduzia em menor pressão de alta do mercado futuro, segundo operadores. Às 14h13, o dólar era cotado a R$ 2,190 para venda, em queda de 2,5%, após ter chegado a cair quase 4% pela manhã.
"A queda do dólar é a princípio... pelo pessoal se desfazendo de posição comprada (no mercado futuro). Isso acaba refletindo direto no mercado à vista; o pessoal começa a vender, vira efeito manada", avaliou José Roberto Carreira, gerente de câmbio da Fair Corretora. Segundo os dados mais recentes atualizados pela BM&F, as instituições nacionais inverteram seu posicionamento no mercado futuro de dólar na virada do ano.
A posição comprada dessas instituições, sustentada há cerca de 3 meses, aproximava-se de US$ 3 bilhões em 22 de dezembro e veio sendo reduzida até se inverter para vendida, chegando a pouco mais de US$ 1 bilhão na segunda-feira. Na prática, a posição comprada significa uma aposta na alta do dólar, e a vendida, na queda.
Também os investidores estrangeiros reduziram suas posições compradas no mercado futuro da divisa americana em cerca de US$ 1 bilhão de sexta para segunda-feira. Mario Paiva, analista de câmbio da corretora Liquidez, lembra, entretanto, que essa exposição, que vem pressionando bastante o mercado de câmbio especialmente nos dois últimos meses, continuava próxima de US$ 12 bilhões na véspera, segundo dados também da BM&F.
Paiva ainda apontou o cenário externo positivo, a partir das expectativas em torno do plano de estímulo econômico do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, como fator que ajudava a diminuir a pressão sobre o câmbio. O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo subiam cerca de 1%, enquanto os indicadores futuros dos mercados americanos apontavam para uma abertura positiva.
Paulo Fujisaki, analista de mercado da Corretora Socopa, citou que essa perspectiva mais otimista pode simbolizar uma volta gradual da credibilidade nos mercados e a consequente retomada da entrada de dinheiro no País. Nesta terça-feira, o Tesouro Nacional anunciou a abertura de uma emissão de títulos globais de 10 anos nos mercados americano e europeu.
As informações são do Terra