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14/03/2009 17:48:00

Economista recomenda aumento de investimentos públicos contra crise

Rio - A crise internacional reforça a necessidade de que o Brasil tenha um plano de investimento público em infra-estrutura, transportes, energia, que possa ser acionado o mais rapidamente possível, de modo a  mobilizar o emprego e os fornecedores nacionais de forma imediata. “E eles vão fortalecendo o resto”.

A recomendação foi feita pelo economista Fernando José Cardim de Carvalho, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo ele, a duração da crise já é, por si só, uma razão para se ter muita cautela. “Para se ter expectativas relativamente pessimistas sobre o futuro”, afirmou.

O tamanho da economia favorece o Brasil, no sentido de limitar os danos causados pela crise. Outro ponto favorável é o mercado interno bastante amplo. Fernando Cardim afirmou que, por intermédio da política fiscal, o governo federal tem condições de conter os piores efeitos da crise externa. No momento, disse que a perspectiva é tanto de otimismo como de pessimismo moderados.

“Há uma conjuntura dolorosa ainda pela frente, que não revelou toda a extensão do dano, com a possibilidade de atenuar isso por uma política ativa do governo. Por uma intervenção atenta e permanente por parte do governo”, acentuou.

O economista da UFRJ descartou, no entanto, que o governo deva ter como prioridade auxiliar setores determinados, “até porque, quando você tem uma crise desse tipo, os setores todos vão fazendo água”. Ele disse que uma política de varejo pode levar ao desperdício de recursos, que não são ilimitados.

Segundo Cardim, a liderança do governo não deve ser exercida no sentido do salvamento. Esse mecanismo só deve ser acionado caso se trate de algum setor estratégico para a economia ou de importância social em uma determinada região. Ele disse que a ação do governo deve se traduzir no plano de investimento, que envolva a construção de escolas, usinas, estradas, por exemplo. “Não é ajudar o setor privado. É dinamizar o setor privado, por meio da sua demanda”.

Cardim admitiu que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estaria inserido nesse plano. Mas advertiu que o PAC deve ter maior consistência. “É preciso mais. Tem muita negociação. Às vezes, muito calor e, relativamente, pouca luz”, definiu.

Cardim  sugeriu que o governo deve aproveitar o impacto da redução de juros definida pelo Banco Central esta semana, “ainda que tardia”, e investir  nessas áreas. E esperar que essas ações impulsionem o resto da economia. Ele reiterou que não se trata de tentar criar um “hospital de empresas” porque, nesse caso, seria um desperdício de recursos.

A redução da taxa de juros “aliviou” o que o governo tem a pagar como serviços da dívida. “Portanto, ele pode usar os seus recursos para fazer mais investimentos”. Cardim enfatizou que há seis meses, o que se criticava era que o BC estaria impedindo o setor privado de se recuperar. “O Banco Central do Brasil é de uma lentidão paquidérmica e, realmente, não ajuda”. Isso significa que o BC deixou passar a hora de auxiliar as empresas.

Na avaliação de Cardim, a postura adotada pelo BC confirma sua trajetória dos últimos anos, “que é de uma instituição pesada, pouco capaz e pouco habilitada a exercer o papel de uma autoridade monetária em um país como o Brasil”. Como a demanda privada já entrou em colapso, Fernando Cardim afirmou que não é relevante que o corte de juros seja mais drástico que o definido esta semana. Ele enfatizou que, quando a economia recuperar algum grau de normalidade, o BC será uma pedra no caminho das empresas. “Não é algo que ajuda a recuperação”, concluiu o economista.

As informações são da Agência Brasil

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