Rio - O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, negou ontem a possibilidade da queda do preço da gasolina e do diesel, no mercado interno, em curto prazo, devido ao forte recuo da cotação do petróleo no exterior. A hipótese chegou a ser levantada pelos diretores do Banco Central, conforme revelou a ata da reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo Gabrielli, a política da empresa é a mesma há seis anos: não repassar as oscilações do preço do barril de petróleo no exterior antes que o cenário se consolide.
“O Copom já disse que nós não falamos de juros e o que se espera é o que o Banco Central também não fale sobre o preço da gasolina”, criticou. Ele ressaltou que não é possível saber com exatidão quais serão as variações do preço da gasolina no exterior, assim como as do câmbio até julho do ano que vem: “Se hoje a previsão do mercado é de que o petróleo vai variar até julho 25% para mais, quanto vai variar o câmbio? Ninguém sabe”.
Gabrielli lembrou que, quando o barril de petróleo foi a US$ 140, a Petrobras não aumentou os preços da gasolina. Então, não fará isso agora, já que o barril está na faixa dos US$ 40.
INVESTIMENTO MAIOR
De acordo com Gabrielli, essa indefinição, causada pelas incertezas em conseqüência da crise financeira global, foi o que levou a Petrobras a adiar a decisão sobre o plano de investimentos para o período 2009-2013. “Não houve reprovação do plano, mas um consenso. Houve uma necessidade de definir com mais precisão nossos projetos diante das atuais expectativas”.
Apesar das incertezas, ele anunciou que a estatal vai investir mais no ano que vem. Em 2008, disse, os investimentos devem ficar entre R$ 50 bilhões e R$ 55 bilhões. Em relação ao desenvolvimento das áreas da camada do pré-sal, Gabrielli afirmou que é viável mesmo com o preços atuais do petróleo, desde que permaneçam de US$ 40 a US$ 50.
OS PRINCIPAIS PONTOS DA ENTREVISTA DO PRESIDENTE DA PETROBRAS
PLANO ADIADO
A decisão de adiar o Plano de Investimentos foi unânime, de todos os membros da diretoria e do conselho. “Não houve reprovação do plano, mas um consenso. Houve uma necessidade de definir com mais precisão nossos projetos diante das atuais expectativas”.
INVESTIMENTOS
Ficarão acima do volume entre R$ 50 bilhões e R$ 55 bilhões investidos neste ano. A estatal vai reavaliar projetos e licitações em curso para buscar eventuais reduções em preços de equipamentos e serviços por parte de fornecedores.
ORÇAMENTO
A empresa encaminhou em agosto ao Congresso proposta de investir R$ 72 bilhões, mas, diante da crise, o volume deverá ser menor. Pela primeira vez nos últimos seis anos, a Petrobras vai começar 2009 sem ter definido seu orçamento.
COMBUSTÍVEIS
A estatal não pensa em reduzir os preços da gasolina e do óleo diesel no País, em função da forte queda do petróleo no mercado internacional. “Nós não repassamos para o mercado brasileiro a volatilidade de curto prazo do mercado internacional. Quando o preço do petróleo foi a US$ 140 o barril, nós não alteramos o preço no Brasil. E também agora nós não temos clareza de quanto vai ser o preço da gasolina daqui a seis meses”.
PRODUÇÃO
A não-definição do orçamento da Petrobras não terá impacto no curto prazo na produção da estatal. “A produção de 2009 depende de decisões de cinco anos atrás. A decisão sobre os investimentos de agora só vai impactar projetos em 2014/2015”.
PRÉ-SAL
Somente os projetos ligados ao pré-sal foram detalhados na reunião que discutiu o plano de investimentos da empresa para o período de 2009-2013. Concluiu-se que o desenvolvimento dessas áreas é viável, desde que com preços na faixa entre US$ 40 e US$ 50.
COTAÇÕES
Com o agravamento da crise global, já era esperada a queda no preço do barril de petróleo: “Mas não imaginávamos que seria tanto”.
LICITAÇÕES
A licitação de duas plataformas (P-61 e P-63), cujas propostas foram abertas na sexta-feira, poderá ter o preço revisto diante de quedas como a do preço do aço, que já despencou 40% no exterior.