Rio - A cotação do dólar abaixo dos R$ 2 não está sendo suficiente para derrubar os preços de produtos estrangeiros nas prateleiras dos supermercados. Ainda sem alteração, os importados continuam mais caros que os nacionais. Por trabalhar com mercadorias estocadas, supermercados e lojas só devem promover reduções a partir do próximo mês.
De acordo com o gerente do Multi Market do Bairro de Fátima, Anderson Monteiro. “As mercadorias à venda hoje foram comprados há cerca de 30 dias. Por isso, ainda não deu para os consumidores sentirem os efeitos da queda do dólar”.
Ao comparar preços no comércio, clientes verão diferenças que ainda saltam aos olhos. Numa rede de supermercados, a maçã nacional custa R$ 1,39 (kg), e a maçã argentina está saindo por R$ 3,99 (kg). Com o macarrão, a situação é a mesma. O espaguete Barilla (italiano) custa R$ 5,15 (500 g), já o da marca Piraquê (brasileira) é vendido a R$ 2,05 (500 g).
Nesse caso, devido à constante valorização do trigo no mercado internacional, o preço não deve mesmo mudar. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias, o produto, principal matéria-prima do setor, já teve aumento de 1,18%. O preço do bacalhau do Porto é de R$ 32,50 (kg), considerado alto pelos consumidores.
Segundo o professor de finanças do Ibmec, Ruy Quintans, um dos principais fatores causados pela desvalorização da moeda norte-americana é a perda de competitividade sofrida pelas indústrias brasileiras exportadoras — o que acaba beneficiando o consumo interno: “Há a tendência de que esses empresários se voltem para o mercado nacional, o que deverá gerar queda nos preços de alimentos, como frango e carne bovina”. Outros itens que devem ficar mais baratos são roupas e calçados, de acordo com Quintans. “O efeito, nestas mercadorias, é praticamente imediato”, afirmou.