Rio - A urbanista Ruth Jurberg, 44 anos, foi convidada para participar de um curso da ONU em Tel Aviv (Israel). Todas as despesas pagas por 50 dias, com exceção da passagem aérea. Ruth tentou várias companhias, mas acabou recusando a proposta, feita a apenas três brasileiros. Motivo: a tarifa pulou de U$ 1.300 para U$ 1.800, aumento de 39,46%.
Como Ruth, milhares de brasileiros encontraram as passagens mais altas, principalmente nas últimas semanas. Ainda assim, o movimento nas agências bateu recordes, o maior desde 1995: o crédito facilitado e o dólar em queda foram responsáveis pelo bom desempenho.
A falência da Varig deixou quase 70% das rotas internacionais sem vôos. Algumas companhias, como a TAP, ocuparam parte dessa fatia do mercado. Mas não foi suficiente, principalmente com o aumento da demanda, depois da baixa da moeda americana. Com procura cada vez maior e assentos de menos, os preços decolaram.
“As tarifas promocionais desapareceram”, revela o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do Rio, Luiz Strauss de Campos. As companhias apresentam cinco tarifas para a passagem econômica. A mudança não leva em conta o lugar escolhido, mas, sim, a ocupação do vôo.
Portanto, quanto mais cedo a compra for efetuada, maior a chance de se pagar menos. “Tem passagem que se encontra somente com o dobro do valor. Mas a maioria ficou 30% mais cara”, assegura Strauss. Segundo o presidente da Abav-Rio, vôos para os Estados Unidos e Europa, que custavam entre US$ 650 e US$ 900 antes, hoje não saem por menos de US$ 1.200.
A expectativa do mercado é que a situação mude somente em seis meses, depois que a Gol assumir de vez rotas deixadas pela Varig, no fim do ano passado.
Atenção com as promoções
Quem está planejando viajar deve ter atenção aos detalhes. Algumas agências oferecem promoções, com preços menores na moeda americana, mas aumentam o valor em real com a cotação maior do dólar turismo. No resultado final, o consumidor acaba pagando mais caro.
Para o diretor de Assuntos Internacionais da Associação Brasileira de Agentes de Viagens, Leonel Rossi, o turista deve calcular seus gastos para não ficar com dívidas na volta. “Deve quitar a fatura do cartão de crédito. Nunca parcelar, senão será assaltado”, adverte. Rossi acredita que, mesmo que o dólar suba, ainda vale a pena pagar parte das despesas no cartão de crédito.
Já o coordenador do Índice de Preços aos Consumidor da Fundação Getúlio Vargas, André Braz, acredita que o ideal é programar a viagem com antecedência para pagar despesas como passagem e hotel à vista.
Para cada compra, uma cotação
Dólar iata, dólar turismo, dólar ptax. Os nomes podem parecer estranhos, mas eles acompanham o turista em todos os momentos da viagem. Da compra da passagem ao pagamento do restaurante, da lembrancinha para a avó ao melhor museu da cidade... E até no retorno ao Brasil, na fatura no cartão de crédito. Para o setor de turismo, não vale o dólar comercial. Nas operadoras, por exemplo, somente é usado o dólar turismo, cotado na sexta-feira acima dos R$ 2, mais precisamente a R$ 2,020.
Apesar da diferença, existe uma relação entre as duas taxas. O dólar turismo estava bem maior (R$ 2,15). A queda levou a uma verdadeira corrida dos brasileiros para os pacotes internacionais.
As casas de câmbio também trocam o real pelo dólar na cotação do turismo. Já as companhias aéreas usam o dólar iata, que fechou na sexta em R$ 1.929. Cartões de crédito são os que mais se aproximam do dólar comercial. Na fatura, cobram a ptax, R$ 1,9056. Apesar da compra ter sido feita em uma determinada data, a cotação válida é a do dia do pagamento da fatura.