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10/06/2007 00:09:00

Casa própria: Estabilidade econômica realiza sonho

Certeza a respeito das regras financeiras e dinheiro previsto no PAC animam os negócios

Cristiane Campos

Rio - A estabilidade econômica, os prazos mais longos no crédito imobiliário e o volume expressivo de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) contribuem para tornar possível o sonho da casa própria. A fórmula, que é sucesso, já contabiliza mais de R$ 4 bilhões investidos até o mês passado no financiamento habitacional, apenas com recursos da caderneta de poupança.

Esses contratos são assinados pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que prevê taxa de juros limitada a 12%, ao ano. Segundo o superintendente-geral da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), Carlos Eduardo Fleury, o prazo maior de pagamento, de 12 para 20 anos, e o aumento no percentual a ser financiado — que era de 60% e hoje já chega a 80% do valor do imóvel — permitem que milhares de famílias possam ter acesso ao crédito para comprar a moradia.

“Atualmente, a média do empréstimo concedido com dinheiro de poupança varia de R$ 70 mil a R$ 80 mil”, diz Fleury. Ele afirma que os agentes financeiros têm interesse em conceder crédito para as classes média e média baixa. “Mas ainda faltam produtos para esse público, principalmente para as grandes capitais, como Rio de Janeiro e São Paulo. São empreendimentos com unidades na faixa de R$ 60 mil”, explica o executivo.

Para o superintendente da Abecip, os juros do empréstimo imobiliário estão bastante ajustados. “Captamos o recurso para financiar a moradia com taxa de 6%, ao ano, mais TR (Taxa Referencial). Significa em torno de 8%, ao ano. Como posso cobrar do mutuário percentual inferior ao da captação?”, questiona Fleury.

A taxa básica de juros (Selic), hoje em 12%, ao ano, está em queda, mas será preciso mexer também no rendimento da poupança para que se reduza o percentual de juros para o mutuário final. Para especialistas, o País está no caminho certo. Eles destacam também as mudanças que ocorreram na legislação para dar mais garantia à operação.

Prestação menor

A previsão da Abecip (Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança) é conceder 150 mil financiamentos até dezembro. Para se ter idéia, 48 mil unidades já foram contempladas com o empréstimo habitacional até o mês passado. O diretor da Gafisa no Rio, Luiz Henrique Rimes, lembra que há três anos só era possível parcelar em até 60 meses.

“Esse prazo fazia com que o valor da prestação fosse elevado. E apenas um pequeno grupo teria acesso à compra do imóvel”, diz Rimes.Para ele, houve uma revolução básica no mercado imobiliário. Agora, é só fazer os ajustes para melhorar ainda mais o desempenho.

Ele destaca também que o cenário tem permitido prestações mais acessíveis durante a obra, quando o mutuário ainda tem despesa com aluguel. Essas condições atraem investidores estrangeiros: “A expectativa é que estamos no início de um boom imobiliário”.

Mercado tem muitos lançamentos

A Cidade do Rio de Janeiro conta com quantidade expressiva de lançamentos, mas a evolução da renda dos trabalhadores ainda não é suficiente para absorver o número de unidades. A afirmação é do sócio-diretor da Basimóvel, Alexandre Fonseca. Segundo ele, esse cenário faz com que o preço do imóvel fique menor, ou seja, é a fórmula que as incorporadoras encontraram para aumentar a competitividade. O resultado é muito positivo para quem está à procura do imóvel: “As empresas facilitam ainda mais a entrada, e as parcelas durante a obra não são tão pesadas”.

Fonseca explica que há três anos era comum o mercado exigir 45% do valor do imóvel durante a construção e os 55% restantes na entrega das chaves. “Hoje, a situação é muito diferente. A pessoa paga 25% até a entrega do imóvel e os 75% restantes podem ser pagos através do empréstimo habitacional,com taxas de juros acessíveis e sem a preocupação de saldo devedor impagável”, afirma Fonseca.

O empresário Luiz Carlos Chaves Mineiro, 38 anos, e sua mulher, Luciana Guimarães, 36, compraram um apartamento de dois quartos para investimento, no Recreio dos Bandeirantes. Ele afirma que os bancos estão com taxas mais acessíveis e há muita oferta no mercado, por isso, é possível fazer um bom negócio.

“Tenho duas filhas pequenas e já estamos pensando no futuro delas. Queremos deixar um imóvel para cada. Optei pelo bairro porque já moramos no local e o empreendimento fica em Barra Bonita, que está valorizando a cada dia”, diz Mineiro.

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