Rio - O mercado imobiliário passou a considerar o desenvolvimento sustentável, ao adotar itens para garantir que projetos habitacionais não prejudiquem o meio ambiente ou, pelo menos, reduzam essa agressão: os prédios verdes estão chegando. Os condomínios passam a ter pomar e herbário, coleta de lixo seletiva, sensores de presença para acendimento automático da luz, reuso de água de chuva, água filtrada em todos os pontos de consumo, aquecimento de chuveiros a gás, medidores de consumo individuais, janelas persianas, churrasqueira limpa, elevador ecológico e energia solar.
A medida é mais que bem-vinda, porque a construção civil é responsável pelo consumo de 15% a 50% dos recursos naturais extraídos, 66% de toda a madeira retirada, 40% da energia consumida e 16% da água potável.
Construtoras, como a Rossi Residencial, Carmo & Calçada e Direcional Engenharia, já desenvolvem o conceito. O Grupo Esfera lança seu primeiro empreendimento ecológico no Rio, o Ecolife Freguesia, em Jacarepaguá, que aguarda a certificação “Green Building” (prédio verde), selo ecológico que se tornou tendência mundial. É o “Oscar” do mundo ecológico. Nos Estados Unidos, o imóvel considerado sustentável tem valorização em torno de 20% na hora da venda.
E não é só aí que as medidas se estendem ao bolso dos moradores: os itens que preservam o meio ambiente também tornam a cota condominial até 30% mais barata. E sem custo adicional pelas soluções ecológicas. O Ecolife terá 140 unidades, além das coberturas. Apartamentos têm preço a partir de R$ 150 mil (dois quartos) e R$ 180 mil (três quartos). O financiamento pode ser em 150 meses direto com o incorporador, ou pelo Bradesco com taxa de juros de 10,5% ao ano mais TR (Taxa Referencial), em até 25 anos. A entrega é em 24 meses.
Segundo o engenheiro e presidente da Esfera, Luiz Fernando Lucho do Valle, o grupo também vai lançar o Ecolife Recreio dos Bandeirantes. “Nossos clientes compram o apartamento pensando no futuro da família e no meio ambiente. Os projetos sustentáveis serão valorizados”, afirma Valle.
Energia solar e bosques
Para o presidente da Patrimóvel, Rubem Vasconcelos, a participação do mercado imobiliário na preservação do ambiente já é uma tendência. “Já temos mais dois empreendimentos com esse conceito, o London Green, da Gafisa, e um novo condomínio da Carmo & Calçada, na Península, com água filtrada em todas as torneiras”, revela Vasconcelos.
O diretor de Incorporação da Rossi Residencial, Frederico Kessler, diz que a empresa já adota o conceito há algum tempo. Segundo ele, nos prédios novos, as partes comuns são iluminadas com energia solar. “Até dezembro teremos mais três lançamentos (Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Irajá)”, adianta Kessler.
A construtora mineira Direcional usou no condomínio Mirante Campestre, na Freguesia, a captação de água da chuva, medidor de água potável individual, além da preservação de área verde (bosque) no total de 30 mil metros quadrados.