Rio - A troca da compra parcelada pela opção à vista com recursos do financiamento consignado é ainda mais vantajosa para servidores e aposentados do INSS. Nesses dois grupos de consumidores, taxas cobradas pelos bancos na modalidade costumam ser menores.
No Banco do Brasil, o aposentado encontra juros de 1,7% ao mês no crédito consignado. Na compra de um refrigerador de R$ 1.799 à vista, ou R$ 2.158,80 a prazo, a opção pelo desconto em folha resulta em economia de 18%, ou R$ 395,60, preço de uma televisão 14’. A mágica está nos juros, que, no consignado, são de 2% (índice proporcional, baseado na diferença entre os prazos de pagamento da loja, 20 meses, e do banco, 12 meses), e no comércio, de 5,9%.
Driblando juros com ajuda do desconto em folha, servidores do estado economizam R$ 223,76, levando à vista Home Theater de R$ 999. Com taxa de 2,8% em 12 prestações (R$ 98,27), o trabalhador gasta 15% menos que se parcelasse na loja.
O caminho financeiramente mais curto pode tornar-se o atalho para a dívida, caso não haja planejamento. Quem avisa é o economista Milton Juer: “Por menor que seja a taxa, o consumidor deve ter certeza de que poderá pagar as prestações do consignado para não se endividar mais na frente. Muito cuidado para o barato não sair caro”.
MINA DE OURO
Principal público do financiamento com desconto em folha, os aposentados e pensionistas do INSS representam a galinha dos ovos de ouro para as instituições que oferecem a modalidade. Até janeiro deste ano, 6,93 milhões de contribuintes dessas categorias haviam recorrido ao consignado.
Desde maio de 2004 — lançamento para aposentados e pensionistas — foram assinados 14,24 milhões de contratos, responsáveis por movimentação de R$ 20,23 bilhões. Com essa quantia, daria para comprar mais de 202 mil apartamentos de classe média, no valor de R$ 100 mil cada um.
Só no Rio, 1,91 milhão de operações foram realizadas em 31 meses, em nome de 715.771 beneficiários do INSS, deixando o estado atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais em volume de empréstimos. O BMG é hoje o gigante do consignado, à frente de Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, HSBC, Real e Unibanco. O banco mineiro fez, desde maio, 3,68 milhões de transações. Juntas, as seis maiores instituições financeiras do País somaram 3,26 milhões de operações.
Uma opção ao alcance de todos
Servidores municipais do Rio têm direito ao financiamento, no Banco do Brasil e no Santander, com juros de 1,99%, em contratos de um ano, ou de 2,39%, em dois. O setor público e o INSS estabelecem valores máximos para as taxas de juros cobradas do funcionalismo e de aposentados e pensionistas.
Embora contem com índices e condições mais convidativas, não são apenas essas duas categorias de trabalhadores que podem pedir socorro ou recorrer ao crédito consignado. Para ter acesso ao empréstimo com desconto no contracheque, basta ter conta em banco.
O Bradesco, por exemplo, oferece aos seus clientes taxas de juros de 1,75% a 3,30%, dependendo do prazo de pagamento, que pode chegar a 36 meses. Já na Caixa Econômica, os índices são de 1,92%, um ano, e 2,19%, dois anos, para clientes que tenham o banco como instituição pagadora. Em ambos os casos, há, no entanto, cobrança da Taxa de Abertura de Crédito (TAC), que varia de acordo com cada contrato e, normalmente, não costuma ultrapassar 1,5% do valor total financiado.