Rio- O governo do Estado do Rio não vai mais incentivar a instalação de novos postos de abastecimento de gás natural veicular (GNV), como conseqüência do cenário de incertezas no fornecimento do combustível no País.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio, Julio Bueno, já manifestou a decisão de não estimular o mercado. Mas reivindicou participação no plano de contingenciamento de gás natural que vem sendo preparado no Ministério de Minas e Energia. A idéia da União também prevê criar um comitê especial, nos moldes do instalado à época da crise energética, em 2001.
Bueno, eleito presidente do Fórum de Secretários de para Assuntos de Energia, reconheceu a necessidade de um plano para gerenciar problemas de fornecimento, mas defendeu uma cadeira para cada federação. A legislação dá aos estados a regulação do segmento, e o Rio tem papel relevante, uma vez que produz (e consome) o gás nacional.
O temor é o de adoção de medidas extremas, em caso de complicações no abastecimento. A bomba pode estourar, principalmente, no bolso de taxistas e motoristas, que investiram na conversão de seus carros em busca de economia prática e vantagens fiscais. Só no Rio há mais de 546 mil veículos movidos a GNV — 42% de 1,3 milhão no Brasil. Também estão em território fluminense 449 dos 1.425 postos em todo o País, segundo a Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado).
“Temos que dar conta dos consumidores que existem”, argumentou Bueno, que promete assegurar o abatecimento atual para clientes residenciais e usuários do GNV, além de setores industriais essenciais.
Adaptações caíram 23% este ano
Segundo dados do Instituto Brasileiro do Petróleo e do Gás (IBP), o número de conversões nos três primeiros meses do ano no Brasil caiu 23%, na comparação com o ano passado. Em janeiro, fevereiro e março, foram convertidos 50.129 veículos, contra 65.220 no primeiro trimestre de 2006.
O aumento no uso do combustível também foi tímido, no mês passado. Relatório da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostra que, no Sudeste, o GNV cresceu 0,25%, enquanto a gasolina avançou 1,05%, e o álcool hidratado, 8,52%.
Os dados preocupam o mercado, que teme a repetição, no Brasil, do programa de GNV da Nova Zelândia, que chegou a ter 10% da frota convertida, mas a redução nos preços de outros combustíveis e a falta de incentivos governamentais fez baixar significativamente as conversões no setor.
Reajustes maiores que a inflação
O impacto das medidas de nacionalização das reservas bolivianas chegaram ao bolso dos usuários do combustível, como demonstra o Levantamento de Preços da ANP. No Rio, o preço médio do metro cúbico do GNV custa R$ 1,242, contra R$ 1,156, em janeiro. No ano passado, em maio, o preço médio era de R$ 1,146. Em 12 meses, a alta foi de 8,3% — mais que o do dobro da inflação.
No País, o aumento foi de 7,3%. Nas estações de abastecimento, o preço médio do metro cúbico era R$ 1,258, em maio do ano passado. Atualmente, o preço médio nos postos é de R$ 1,315.
Para o policial Leonardo Furtado, 32 anos, quem anda muito com o carro, além do combustível, gasta muito com manutenção. “Por que o gás não tem o preço mais baixo se antes de ser comercializado era jogado fora? O preço não pára de subir”, reclama o consumidor.