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20/11/2008 01:00:00

Há vagas no comércio

Setor garante que haverá chance para quem se candidatar. Pesquisa mostra que 33,6% dos donos de estabelecimentos pretendem selecionar ao menos um temporário até dezembro

Rio - Novas pesquisas confirmam que os efeitos da crise econômica mundial ainda não alteraram as contratações de fim de ano, acendendo a esperança de quem precisa garantir um ganho extra trabalhando no comércio. Levantamento da Fecomércio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro), realizado em 1.823 estabelecimentos da Região Metropolitana do Rio, revela que 33,6% deles pretendem contratar ao menos um trabalhador temporário para o período de fim de ano.

Do total de entrevistados, 90,2% informaram que a contratação dos funcionários será efetuada ainda este mês e em dezembro. Outra surpresa em período escasso de boas notícias é que a remuneração média sobe. Empregadores vão pagar, em média, R$ 670,20 — 15% acima dos ganhos alcançados em 2007, de R$ 580,09.

Quem espera permanecer nas lojas após o período de festas deve apostar tudo no desempenho das vendas. Aqueles que atingirem os melhores resultados serão mantidos, pelo menos, até janeiro, por 52,3% dos comerciantes que vão contratar temporários, aproveitando a presença de turistas na cidade. Em 2007, esse percentual era também menor — 48,5% estenderam o vínculo. Para os que desejam ser efetivados em definitivo, a perspectiva também é boa: 85,6% dos empresários acenaram com a possibilidade, contra 80% ano passado.

“Este ano, o comércio de bens, serviços e turismo vai contratar 2,5 mil funcionários a mais do que em 2007, mesmo com a crise internacional e o crescimento da geração de emprego formal. Ao todo, serão 29,5 mil funcionários temporários na Região Metropolitana do Rio”, diz o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz.

Em média, estabelecimentos contratarão cinco funcionários, mesmo número do ano passado. A diferença é que o total que vai selecionar de 6 a 10 trabalhadores subiu de 17,8% para 20,7%, compensando redução, de 58% para 56,5%, do grupo de empresários que admitirá até cinco profissionais.

A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) prevê aumento de 25% nos postos de trabalho dos shoppings de todo o País — acréscimo de 158 mil vagas temporários. No Rio, hoje com 76.400 empregos no setor, a oferta será 19.100 vagas. “Em momentos de crise e recessão, caso as vendas do varejo sejam atingidas, o setor de shopping centers é o que menos sofre”, explica o Diretor Executivo da Abrasce, Luiz Fernando Veiga.

Cartazes atraem candidatos

Na loja de roupas femininas My Place, no Shopping Tijuca, a corrida por vagas temporárias não pára. Segundo a gerente, Thatiana Castelhano, 20 anos, o quadro de funcionários vai dobrar: “Vamos contratar quatro estoquistas e seis vendedoras. Desde que colocamos o anúncio na vitrine, no início do mês, recebemos em média 20 currículos por dia”, conta Thatiana. Natália Freitas, 23 anos, está em busca de oportunidade como vendedora e aposta no otimismo dos empregadores. Aluna do 7º período de Enfermagem pela Uerj, ela tem grandes chances, uma vez que a qualificação em Nível Superior ajuda.

A idéia é investir o salário na carreira e, de quebra, garantir algum para viajar no verão: “Pretendo comprar livros para a universidade, pagar cursos de especialização e, com o que sobrar, viajar no Carnaval”.

Em outubro, emprego em alta

A Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE aponta que a crise financeira ainda não abalou o mercado de trabalho na regiões metropolitanas do País: houve aumento de 0,8% no número de ocupados em outubro face a setembro — foram geradas 176 mil vagas de um mês para o outro e, na comparação com outubro de 2007, empresas admitiram 855 mil pessoas.

Segundo o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, um dos primeiros sintomas de crise é aumento da informalidade, o que não ocorreu em outubro — crescimento de 1,9% no número de contratações com carteira assinada em relação a setembro.

Já a queda de 1,3% no rendimento médio real dos ocupados nesses dois meses representou o maior recuo desde janeiro de 2006 — 1,6%. A queda ocorreu em quatro regiões — São Paulo, Rio, Salvador e Recife — com aumentos em Belo Horizonte e Porto Alegre.

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