Rio - O mercado imobiliário está mais aquecido e o bom desempenho pode ser verificado nos números de lançamentos e de crédito que beneficiam os interessados na compra do imóvel. Atualmente, já é possível encontrar taxa de 6% ao ano mais TR (Taxa Referencial).
O diretor de Produto de Varejo do HSBC, Renato Steiner, prevê espaço para mais reduções: de 0,5% a 1% em todas as linhas de financiamento das instituições. O percentual parece pequeno, mas, a longo prazo, faz muita diferença no bolso do mutuário. Até fevereiro, o HSBC já tinha financiado 36.012 unidades entre aquisição e construção. Já a Caixa, no primeiro trimestre, liberou mais de 65 mil contratos, totalizando mais de R$ 3 bilhões.
Pesquisa feita pelo jornal O DIA mostra as taxas mais baixas do mercado e o percentual a ser financiado em cada instituição, além do prazo de financiamento e do comprometimento de renda. Para reforçar o time do crédito imobiliário, o Banco do Brasil anuncia que, em junho, estará oferecendo linhas de financiamento habitacional própria. Atualmente, a instituição oferece empréstimos para imóveis acima de R$ 350 mil; e, para menor valor, opera em parceria com a Poupex.
De acordo com o gerente-executivo de Crédito Imobiliário, Sérgio Augusto Kurovski, as taxas de juros ainda não foram definidas, mas devem ficar entre 10,14% a 11,09% ao ano mais TR. O foco será nas unidades de valor entre R$ 120 mil e R$ 350 mil. A renda familiar exigida ficará acima de cinco salários mínimos (R$ 2.075). O prazo de pagamento será de até 20 anos.
O BB vai financiar até 80% do valor do imóvel. “Vamos concorrer em igualdade de condições com os outros bancos. A idéia é acompanhar o mercado, mas com diferenciais, como benefícios que serão incorporados ao produto crédito imobiliário, e até, quem sabe, premiar o cliente”, adianta Kurovski.
O financiamento do BB contará com R$ 2 bilhões. O gerente-executivo prevê dividir as taxas de juros seguindo o valor do imóvel — modelo já usado por outros bancos. Ou seja, quanto menor o preço da unidade, mais baixos serão os juros. O Citibank também oferece empréstimo para famílias com renda a partir de R$ 1.500. As taxas de juros variam de 7,95% a 10,95% ao ano mais TR. O prazo de pagamento chega a 25 anos.
De olho no filão do crédito imobiliário, o banco Matone, do Rio Grande do Sul, criou o Plano A para atuar no segmento. De acordo com diretor do Matone, João Paulo Pacífico, o banco financia até as despesas com registro do imóvel e o pagamento do ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis), que representa 2% do valor do bem.
O dinheiro é liberado em 20 dias para o vendedor do imóvel porque basta apresentar o protocolo de entrada no Registro de Imóvel. “Vamos financiar imóveis acima de R$ 60 mil com juros a partir de 11% ao ano e correção pela TR ou IGP-M (Índice Geral de Preço Mercado)”, diz Pacífico. O Plano A opera com o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI). Nesse caso, o FGTS pode ser usado como entrada, mas não é permitida a utilização do recurso para abater as prestações ao longo do contrato e nem para quitar.
Comprometa até 30% da renda na prestação
A Pro Teste fez uma pesquisa para apontar o melhor crédito imobiliário para o bolso do consumidor. “Às vezes, as pessoas acreditam que a Caixa Econômica Federal é a melhor opção, mas o nosso estudo revelou que outros bancos têm taxas menores”, explica Hessia. Ela comenta que na faixa de unidades até R$ 150 mil, a Caixa tem ótimas taxas. Já para imóveis de R$ 200 mil, o Santander é o mais indicado. Para unidades acima de R$ 350 mil, ou seja, fora do SFH, o Santander também tem melhor condição.
A economista da Pro Teste, Hessia Costilla, diz que o primeiro passo é saber o valor do imóvel, de quanto será a entrada e se é permitido usar o FGTS. A recomendação é comprometer até 30% da renda com o valor mensal da prestação. “Não adianta querer disponibilizar uma parte grande do salário porque é bom lembrar que o financiamento é a longo prazo”, afirma a economista.
Outra dica: pesquise todas as instituições para verificar a menor taxa. “Hoje, os bancos oferecem os simuladores, que permitem conhecer a instituição que oferece a condição mais indicada para tomar o crédito, sem sair de casa”, orienta Hessia.
Além disso, basta só pedir o CET (Custo Efetivo Total), que aponta as despesas durante o tempo de financiamento, para comparar as condições. A economista da Pro Teste recomenda ainda as taxas pós-fixadas, pois a correção é pela TR, que continua em queda.
Já a prefixada será a mesma durante todo o contrato, ou seja, não poderá acompanhar a tendência de queda dos juros.
Ideal é financiar em curto prazo
O contrato deve ser assinado pelo sistema de amortização constante — o valor das parcelas vai diminuindo no decorrer do financiamento. Para a economista da Pro Teste, Hessia Costilla, o ideal é financiar em curto prazo para pagar menos juros. “Mas o tempo do empréstimo depende da realidade da família. O prazo longo de pagamento ajuda quem mora de aluguel”, conclui Hessia.
Segundo o contador Daniel Ferreira, 31 anos, que acabou de comprar um imóvel na planta do Grupo Zayd, a pesquisa foi fundamental para encontrar o financiamento adequado. “Adquiri um apartamento na planta por R$ 140 mil, em Jacarepaguá. Pago prestação de R$ 310 durante a obra e, quando estiver morando, o valor passará para quase R$ 600. Quero me programar para encurtar o máximo o prazo de 25 anos, mas desde que a parcela caiba no meu bolso”, conta.
Segundo o diretor da Basimóvel, Ariovaldo Rocha Filho, algumas facilidades, como móveis planejados, atraem novos compradores.