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16/08/2008 01:27:00

Lula não vai negociar tarifa

Com novo presidente, Paraguai agora quer aumento no contrato da energia produzida em Itaipu

Rio - Na posse do novo presidente do Paraguai, Fernando Lugo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu negociar questões envolvendo Itaipu, mas avisou que não vai conversar sobre aumento de tarifas. “Qualquer aumento de tarifa para o povo brasileiro é complicado”, disse Lula. A revisão do Tratado de Itaipu, assinado entre Brasil e Paraguai em 1973, foi uma das promessas de campanha de Lugo, que defendia a cobrança de “um preço justo” pela energia excedente vendida ao Brasil.

“Itaipu tem reivindicação antiga dos companheiros do Paraguai e nós vamos discutir com eles. Primeiro, precisamos saber qual será a demanda que o presidente Lugo vai fazer ao Brasil. O que for possível negociar, vamos negociar, porque queremos ajudar o Paraguai”, ressalvou Lula, ainda no aeroporto de Assunção, ao se preparar para retornar ao Brasil.

Segundo o presidente, a política externa brasileira é de assumir a responsabilidades com os países da América do Sul e do Mercosul, promovendo o desenvolvimento das nações pobres.

A central hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo em funcionamento e principal empresa paraguaia, fornece 19% da eletricidade consumida pelo Brasil. O Paraguai utiliza somente 5% da energia produzida em seu país e vende o restante ao Brasil, por US$ 300 milhões por ano. O governo paraguaio defende o salto desse pagamento para US$ 2 bilhões — aumento de 566%.

O Brasil paga US$ 45 por megawatt hora ao Paraguai, incluindo juros da dívida, royalties (direitos pela exploração) e custos de operação. O futuro diretor-geral paraguaio de Itaipu, Carlos Mateo Balmelli, adiantou, antes da posse, que o tratado que deu origem à usina foi selado quando os dois países eram governados por ditaduras. “Tem que ser atualizado”, defendeu Balmelli.

Ex-bispo promete ser implacável

De sandálias e sem terno, o ex-bispo Fernando Lugo, 57 anos, assumiu ontem a Presidência do Paraguai, em ato acompanhado por nove chefes de Estado, e pôs fim a 61 anos da era do Partido Colorado. Em discurso, prometeu ser implacável com os “ladrões do povo”. “Renuncio a viver em um país onde uns não dormem porque têm medo e outros não dormem porque têm fome”, disse ele, que foi bispo da Diocese de São Pedro, a região mais pobre do Paraguai.

Mais de 100 delegações oficiais compareceram à cerimônia, entre elas, a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e dos chefes de Estado de Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Honduras, Taiwan, Uruguai e Venezuela.
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