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1/1/2008 01:48:00

Mais de R$ 40 bi para o sonhado imóvel

Aumento de recursos e condições mais favoráveis de financiamento farão de 2008 o ano da casa própria

Cristiane Campos


Rio - O ano da casa própria. Essa é a aposta de todo o mercado imobiliário para 2008. E os motivos são, de fato, dos mais consistentes. O orçamento para habitação neste ano vai superar R$ 40 bilhões. Serão liberados R$ 17 bilhões do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), recorde histórico de recursos, e R$ 23 bilhões da caderneta de poupança. Isso sem contar com os recursos próprios dos bancos, que ainda não foram divulgados.

Os juros dos financiamentos imobiliários já estão bem abaixo dos praticados há um ano. As taxas variam de 6% a 12% ao ano mais TR (Taxa Referencial). O prazo de pagamento chega a 30 anos. Para se ter idéia do aquecimento do mercado em 2008, somente com o montante de recursos da poupança será possível financiar 250 mil imóveis no País.

Outra novidade é que já vigora o desconto de meio ponto percentual para trabalhadores com pelo menos três anos de conta vinculada no FGTS nas linhas de crédito imobiliário com recursos do Fundo de Garantia. Nesse caso, por exemplo, para quem tem renda familiar de R$ 1.875, os juros são de 6% ao ano, mas, com o desconto, caem para 5,5% mais TR.

É possível comprar imóveis de até R$ 100 mil nas capitais e regiões metropolitanas. Aqui, o crédito é de até 100% do valor do bem. O trabalhador com rendimentos acima desse valor e até a faixa de R$ 4.900 terá a taxa reduzida de 8,16% para 7,66% ao ano mais TR.

O Conselho Curador do FGTS também criou a linha Pró-Cotista, voltada para famílias de classe média, para trabalhadores com renda acima de R$ 4.900, com taxa de juros de 8,66% ao ano mais TR. Nessa faixa, não há desconto de meio ponto percentual na taxa de juros para cotistas do Fundo de Garantia porque o percentual é o mais baixo do mercado. É possível comprar imóveis avaliados em até R$ 350 mil. O máximo de financiamento é de R$ 245 mil, limitado a 80% do valor do imóvel.

Também é preciso ter três anos de conta vinculada no FGTS. Outra exigência é que o saldo do trabalhador corresponda, na data da concessão do financiamento, a no mínimo 10% do valor de avaliação do imóvel. O prazo de pagamento é de 30 anos.

Os recursos do FGTS voltam a atrair os bancos privados — que já operaram com a linha no passado. Na última reunião do Conselho Curador do FGTS, foi aprovado mais R$ 3 bilhões para atender à demanda dos agentes financeiros. Isso porque os bancos estão de olho na faixa da população com salários entre três e 10 mínimos (R$ 1.140 a R$ 3.800) — parcela que vem ampliando a renda nos últimos anos.

O Itaú foi o primeiro a anunciar linha de crédito com recursos do FGTS. Foi liberado R$ 1 bilhão. A nova modalidade é para famílias com renda de até R$ 4.900, que queiram adquirir imóvel residencial, novo ou usado. Juros de 8,47% ao ano mais TR. O pagamento pode ser em até 25 anos.

A nova linha, que vai operar inicialmente nas regiões metropolitanas do Rio e de São Paulo, além da cidade de Brasília, é válida para imóveis de até R$ 120 mil, e oferece possibilidade de financiar até 80% do valor. A taxa de administração para essa modalidade baixou de R$ 25 para R$ 21,43. O Banco Real anuncia que, ainda neste trimestre, será possível obter crédito através do FGTS. Os juros vão variar de acordo com a renda familiar e o tempo de contribuição no fundo — ou seja, de 5,5% a 8,66% ao ano mais TR. O limite de empréstimo será de 80%. O prazo de contrato será de 25 anos.

Responsável pela administração dos recursos do FGTS. a Caixa informa que já são 10 os bancos autorizados a operar com dinheiro do Fundo de Garantia.

Caixa fecha parcerias com construtoras

A Caixa Econômica Federal está fechando parcerias com construtoras para facilitar a compra de imóveis por famílias de baixa renda. A Goldfarb, a Tenda e a MRV fazem parte do projeto. As empresas se tornaram correspondentes bancárias da instituição financeira no setor imobiliário.

A iniciativa tem o objetivo de dar agilidade ao processo de concessão do crédito imobiliário e à assinatura do contrato habitacional.

A Goldfarb, por exemplo, anunciou que, com a parceria, vai construir 12 mil unidades no País. No Rio, a construtora espera oferecer pelo menos 1.500 imóveis.

AS PRIORIDADES

O contrato com a Caixa Econômica Federal tem como prioridade a faixa de renda de até cinco salários mínimos (R$ 1.900). “Esse acordo visa agilizar o financiamento de imóveis dado o grande volume de unidades a serem comercializadas, cerca de 12 mil somente pela Goldfarb, além de reduzir à metade o tempo de operacionalização, dando vazão ao aumento da demanda”, destaca o presidente da construtora, Milton Goldfarb.

Já a Tenda divulgou que serão 30 mil imóveis no País. Segundo o diretor Administrativo, André Vieira, destas, o Estado do Rio vai receber 6 mil unidades.

“O nosso foco são famílias com renda de três (R$ 1.140) a 10 mínimos (R$ 3.800). O preço dos imóveis varia de R$ 60 mil a R$ 120 mil”, informa. Vieira antecipa que, durante a obra, o comprador paga 20% do imóvel, financiando o restante com a Caixa Econômica Federal.

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