Petrobras anuncia reservas em Iara, que fica no mesmo bloco de Tupi e tem petróleo de qualidade
Rio - A Petrobras anunciou nova descoberta de petróleo de elevada qualidade na área do pré-sal, que recebeu o nome de Iara, vizinha ao campo de Tupi, anunciado no ano passado. O novo poço fica na área menor do bloco BM-S-11, em águas ultraprofundas da Bacia de Santos — a profundidade é de 2.230 metros. Iara fica a cerca de 230 km do litoral da cidade do Rio de Janeiro.
Segundo a estatal, que é operadora de consórcio (com 65% de participação) formado com o BG Group (25%) e a Galp Energia (10%), os primeiros testes comprovaram a ocorrência de mais uma jazida de petróleo leve nos reservatórios do pré-sal, com densidade em torno de 30°API.
Pela classificação do American Petroleum Institute, quanto maior o grau, maior a qualidade do óleo. Petróleo leve tem grau API maior que 31,1°. O médio é de 22,3° a 31,1°. O pesado — até então, maioria das reservas do País — é menor que 22,3º.
O bloco BM-S-11 é composto por duas áreas exploratórias. Na maior delas, foi perfurado o primeiro poço, Tupi (que tem 28° API), que já teve Plano de Avaliação aprovado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e atualmente está em execução pela Petrobras.
Iara ainda está passando por novas perfurações, de acordo com a Petrobras, “ na busca de objetivos mais profundos”. A descoberta foi comprovada por meio de amostragem de petróleo leve por teste a cabo, em reservatórios localizados na profundidade de 5.600 metros. A estatal formalizou o comunicado à ANP ontem.
Após a conclusão, o consórcio fará investimentos necessários à verificação das dimensões da jazida e das características dos reservatórios e vai elaborar Plano de Avaliação próprio à ANP.
Comperj deverá ser ampliado
A Petrobras prevê expansão do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que será instalado em Itaboraí como o maior investimento individual da história da companhia. O orçamento — previsto no Plano de Negócios 2008-2012 — poderá ter um acréscimo substancial, passando de US$ 8,4 bilhões para US$ 20 bilhões. Sem a expansão, a projeção de empregos chega a 262 mil. A previsão de ampliação é para depois dos cinco primeiros meses de operação.
Segundo o coordenador de implantação do projeto, José Ribeiro Ayres, a decisão deverá ser impulsionada pelo desenvolvimento do mercado de resinas plásticas. O projeto original do Comperj estabelece capacidade para transformar 150 mil barris de petróleo em matéria-prima para a indústria petroquímica por dia, para processar o óleo pesado extraído da Bacia de Campos.
Oito unidades de transformação das resinas serão instaladas no entorno do Comperj, em investimento que dará um retorno em cinco anos — o ganho projetado é de US$ 2 bilhões por ano. O complexo vai processar o óleo pesado, que tem baixo valor comercial. Com o aproveitamento no mercado interno, a companhia terá forte compensação financeira.
Ao anunciar o Comperj, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou que a empresa vai dobrar a produção e que não havia demanda por esse óleo. “Teremos onde colocá-lo”, comentou Gabrielli. Sobre a qualidade do óleo do País, pesado, respondeu: “É pesado, mas é bom, porque é nosso”.