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12/7/2008 19:59:00

Planeje a educação

Depósitos de R$ 1,17 a R$ 381,30 todo mês garantem a faculdade do filho

Rachel Vita


Foto Ag. O Dia

Rio - Quando fez 10 anos, Gisele já sabia o que queria ser quando crescesse. Preocupada com o futuro da filha, a costureira Cristina da Silva, 40 anos, começou a economizar pensando na faculdade da menina. Todo mês, há três anos, deposita R$ 500 na caderneta de poupança para não se preocupar com a conta pesada do curso de Produção Cultural. Como a costureira, outras famílias estão planejando o futuro da educação dos filhos. Mas quem começa a poupar desde cedo não precisa desembolsar tanto dinheiro.

A pedido do ‘De Olho noSeu Bolso’, o professor de finanças Gilberto Braga fez as contas de quanto os pais devem investir mês a mês para não ter nenhuma despesa com a mensalidade quando o filho ingressar na faculdade. O valor para depósito inicial é de R$ 1,17, se a aplicação for em um fundo de investimentos convencional. O máximo calculado chega a R$ 381,30, na caderneta de poupança (confira no gráfico).

Vale lembrar que instituições financeiras exigem aporte inicial de aplicação na Bolsa de Valores, que varia de acordo com a instituição, fora a taxa de administração. Na Caixa, por exemplo, o valor mínimo é de R$ 100.

Foram feitas simulações por tempo de aplicação (17 e 12 anos), por curso (4 e 6 anos), por valor de mensalidade (R$ 400 e R$ 1.500) e tipos de aplicações (caderneta de poupança e fundos de investimentos de ações).

“Embora a rentabilidade do passado não signifique que os rendimentos futuros serão idênticos, com prazos tão longos, os resultados, no entanto, podem servir de parâmetro para os pais”, diz Gilberto Braga.

Na poupança, o depósito mensal mínimo pode ser de R$ 35,07 para uma faculdade de quatro anos, com 17 anos de aplicações mensais. Vale destacar o poder dos juros sobre juros, que multiplica as aplicações. Por isso, depositar todo mês é fundamental para se chegar ao total desejado no tempo estipulado. Há outras opções de investimentos, como previdência privada. Pelo Bradesco, é necessário contribuir com R$ 36,80 por 18 anos para ter direito a R$ 400 a cada 48 meses. E R$ 195,37, também por 18 anos, para garantir os R$ 1.500 todos os meses em seis anos.

RENDENDO FRUTOS

Em tempos de inflação, como agora, é mais difícil economizar. O poder de compra do salário diminuiu e sobra menos na conta. Mais do que nunca o planejamento do orçamento doméstico e a determinação ajudam na poupança. Anote todos os gastos (fixos e supérfluos) para não deixar escapar o salário.

Coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão Quadros destaca que ter objetivo para poupar é sempre um estímulo a mais: “Permite que a família escolha entre o consumo presente e o consumo futuro”. Para o economista, a inflação deverá acabar sendo domada, mas as turbulências devem demorar pelo menos um ano.

“A economia de hoje vai render frutos para os filhos depois. Já é provado que investir em educação rende, geralmente, melhor nível salarial”, lembra Salomão.

DO DESCONTO NO PAGAMENTO À VISTA AO CRÉDITO EDUCATIVO

Na hora de pagar a conta da faculdade, a família ainda consegue economizar. A maior parte delas oferece descontos para pagamentos à vista. A Gama Filho aceita negociação anual: cada mensalidade tem 1% de desconto e mais 6% sobre o total economizado. Na Faculdade Hélio Alonso (Facha), a redução varia de 10% a 15% a cada semestre.

Quem não poupou também tem como financiar a faculdade, em outras condições. O Ministério da Educação possui crédito educativo (FIES), que financia a graduação para os que não podem arcar com o ensino superior. A taxa de juros cobrada é de 3,5% ao ano para cursos de Licenciatura, Pedagogia, Normal Superior e do Catálogo Nacional de Cursos de Tecnologia. Para os demais, cobra-se 6,5% de juros.

O Pró-Uni financia integralmente a faculdade de quem tem renda familiar, por pessoa, de um salário mínimo e meio e oferece bolsa de 50% e de 25%.

Para melhor adaptar o orçamento, também vale se preparar. O Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) tem curso grátis na Internet (www.ciee.org.br/portal) sobre como administrar finanças, para auxiliar estudantes a gerir o próprio dinheiro.
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