
São Paulo - A Polícia Federal (PF) prendeu nesta terça-feira, em São Paulo, o braço-direito do chefe da quadrilha de estelionatários que usava o País como base para lesar investidores estrangeiros no exterior. A PF não informou se o suspeito é brasileiro ou estrangeiro. Com isso, sobe para 18 - 16 em São Paulo e dois brasileiros em Miami (EUA) - o número de presos na chamada Operação Pirita.
Nesta segunda, estavam previstos 27 mandados de prisão temporária, três de prisão preventiva e 35 mandados de busca e apreensão, a serem cumpridos em São Paulo, Rio Grande do Sul e EUA. Uma das buscas localizou a mansão que o chefe da organização criminosa, um israelense chamado Doron Mukamal, comprou e mantinha no Morumbi com o dinheiro dos golpes.
De acordo com o delegado regional da PF, Mário Menin Júnior, os estelionatários acreditavam que ficariam impunes por não saber do trabalho de cooperação entre a PF e o FBI.
A polícia chegou até a quadrilha após uma investigação que durou pouco mais de um ano, no Brasil, e já se estendia por três anos nos EUA. Há indícios de que a quadrilha tenha montado base também na Argentina.
Segundo a coordenadora da investigação, Karina Souza, o perfil dos investidores era de estrangeiros que não conheciam o mercado americano de ações. Os papéis vendidos pelo grupo eram de empresas que operavam nos EUA.
"Trata-se de um golpe de estelionato clássico. Eram usados operadores de telemarketing brasileiros com conhecimento de inglês que ligavam para as vítimas oferecendo um alto valor por ações de baixa liquidez". Os clientes da quadrilha eram tanto pessoas quanto empresas.
Feito isso, o grupo cobrava uma comissão pela transação dos papéis e um adiantamento. Após depositados esses valores, os fraudadores desapareciam. O dinheiro era depositado nos EUA e chegava ao Brasil com a ajuda de doleiros.
Entre os detidos no Brasil ainda estão um canadense, um inglês e um neozelandês. O restante dos presos no País, segundo ela, são brasileiros. Os dois suspeitos localizados nos EUA também são brasileiros.
Segundo a PF, o dinheiro depositado pelos clientes era lavado no País com investimentos no mercado imobiliário. "Eles compravam imóveis e faziam construções para dar legimitidade aos recursos", explicou Menin.
As informações são de Hermano Freitas, do Terra