Rio - Mesmo depois do aumento de 5%, retroativo a setembro, os serventuários continuam em greve, que já completou dois meses, e o cenário de incertezas quanto ao retorno desses profissionais ao trabalho tira o sono da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro. A instituição solicitou que a Corregedoria Geral da Justiça do Rio adote as providências para garantir que 50% da categoria volte a trabalhar, até o fim da greve da categoria.
Segundo a Ordem, o requerimento se faz necessário “após denúncias de que os servidores estariam assinando ponto, mas fazendo greve”. A Ordem também apela para a volta dos serventuários ao serviço. “Apelamos para que os líderes grevistas não deixem que a defesa de interesses corporativos, ainda que legítimos, se sobreponham aos direitos do conjunto da população. É hora de demonstrar espírito público e cumprir a decisão judicial, sem que isso signifique interromper a luta por suas reivindicações”, denfende a Ordem.
Os advogados admitem que a causa dos serventuários é justa, mas alertam que a continuidade da greve vai afetar ainda mais quem não consegue dar continuidade aos processos. Outra preocupação é a proximidade do recesso forense, que deve acontecer entre os dias 20 de dezembro e 6 de janeiro de 2009. A liminar que a Ordem deseja que o Sind-Justiça (Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário) cumpra prevê multa de R$ 10 mil por dia, caso o sindicato não coloque 50% dos serventuários de volta às atividades.
O comando de greve avisou ontem que não vai cumprir a decisão e avisou que também ingressou na Justiça para revogar a liminar da 15ª Vara Federal. A explicação é que a decisão de manter a greve é individual e não do sindicato. Segundo o Sind-Justiça, o foco da greve agora é o Tribunal de Justiça do Rio. A intenção agora é buscar avanços em algumas reivindicações, como a concessão do vale-alimentação nas férias e durante as licenças médicas.
Segundo o presidente do Sind-Justiça, Amarildo Silva, apesar do resultado final, o momento é de manter a cabeça erguida e lutar pelo poder que a classe tem: “Não iremos esmorecer e vamos multiplicar”.