Rio - Melhores condições para a casa própria estão levando milhares de brasileiros a deixar o aluguel e assumir um financiamento imobiliário de longo prazo. Prova disso é o aumento expressivo dos números de empréstimos com recursos da caderneta de poupança. Só este ano, já são registrados 177 mil contratos assinados com bancos públicos e privados. Para o ano que vem, a previsão é de mais 250 mil créditos imobiliários. Os dados foram divulgados ontem pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).
Para se ter idéia, somente em novembro, o crescimento foi de quase 200%, com a aplicação de R$ 2,4 bilhões, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Segundo o superintendente-geral da Abecip, José Pereira, nos 11 meses do ano foram investidos R$ 16,6 bilhões. “Vamos ultrapassar o orçamento de R$ 18 bilhões e já projetamos aumento de 23% nos recursos da poupança, ou seja, R$ 23 bilhões para financiar a moradia dos brasileiros”, diz Pereira.
A Caixa Econômica Federal também registrou recorde nos empréstimos que utilizam o dinheiro do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Nessa modalidade, as taxas de juros são ainda mais acessíveis, além de garantir subsídios (descontos) para a baixa renda. Foram liberados R$ 523 milhões, o maior volume de contratações ao mês desde janeiro deste ano. O montante beneficiou mais 16.800 famílias. Os juros variam entre 6% e 8,66% ao ano mais TR (Taxa Referencial).
Pereira destaca que o cenário continua favorável. A estabilidade econômica e a legislação que inibe calotes estão entre fatores que contribuem para que os agentes financeiros invistam no crédito imobiliário. Ele ressalta que o resultado em novembro representa o que foi aplicado em todo o ano de 2002.
“A queda nos juros e os prazos mais alongados (até 30 anos) colaboram para que um número maior de famílias tenha acesso ao crédito”, diz. Em 2002, lembra Pereira, para tomar R$ 80 mil emprestados, era preciso comprovar renda de 12 salários mínimos (R$ 4.560 hoje). Atualmente, para os mesmos R$ 80 mil, são exigidos oito mínimos (R$ 3.040).
Cenário positivo favorece investimentos
Corretora de imóveis, Fernanda Cleto, 34 anos, aproveitou o cenário positivo para comprar seu segundo imóvel, em um resort na Barra da Tijuca. “Fiquei encantada com o empreendimento e a taxa de juros de 10,4% ao ano. Além disso, o resort fica em uma área que se valoriza a cada dia, na Abelardo Bueno”, diz Fernanda.
De olho no avanço extraordinário do mercado imobiliário, e apostando em condições também competitivas, a Construtora Tenda anuncia o lançamento de mais nove empreendimentos, totalizando 2.090 unidades na Região Metropolitana do Rio. Com entrada de R$ 1 mil, as prestações durante a obra são de R$ 240.
Hoje, o Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) faz sua última reunião do ano, no Rio. Na pauta, as políticas do Fundo de Investimento FI-FGTS — que destinará recursos a projetos de infra-estrutura, devendo entrar em operação em 2008 — e o aporte de recursos do FGTS para aplicação na habitação.
Anunciado em janeiro, o FI-FGTS terá R$ 5 bilhões para serem aplicados no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Já em habitação, a expectativa é aprovar reforço de R$ 3 bilhões — o Orçamento da União 2008 já prevê R$ 5,4 bilhões, mais R$ 1,2 bilhão para casa popular e R$ 1,2 bilhão para quem tem conta no FGTS.
CONDIÇÕES, VALORES E PRAZOS MELHORES
EM 2002
Para um imóvel de R$ 80 mil
Prestação era de R$ 1.120
Com juros de 12% ao ano
Para pagamento em 10 anos
EM 2007
Um imóvel de R$ 80 mil
Tem prestação de R$ 703
Com juros de 10% ao ano
E pagamento em 25 anos
EM CINCO ANOS
Prestações e juros menores
Contratos mais longos