
São Paulo - A indústria automobilística bateu recorde histórico com os 4,84 milhões de automóveis vendidos em 2008 no Brasil, mas encerrou o ano com crescimento de 14,15% - abaixo dos 26,9% registrados em 2007 com relação ao ano anterior, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
De acordo com o presidente da entidade, Sérgio Reze, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ajudou a interromper a trajetória de queda nas vendas de carros em dezembro e, com isso, evitou uma redução maior no ritmo de crescimento. "Houve um estancamento da queda (nas vendas) a partir desta medida e os consumidores responderam voltando às concessionárias", afirmou.
O volume de vendas do último mês aumentou 11,54% com relação a novembro, mas ficou 16% abaixo do verificado em dezembro de 2007. Mesmo assim, a Fenabrave revisou suas perspectivas para 2009, de queda de 19% para aumento de 3,13% nas vendas, apostando no descolamento do mercado brasileiro da crise internacional, que afetou grandes montadoras dos Estados Unidos.
Segundo Reze, a ameaça nos mercados de países desenvolvidos não se reflete no Brasil porque o mercado nacional é jovem, enquanto o dos países desenvolvidos já cresceram tudo o que tinham para crescer. "Não tem relação nenhuma com nosso mercado", completou.
O presidente da entidade não vê um movimento de demissões em concessionárias relacionadas à queda nas vendas, nem uma tendência de aumento da inadimplência do consumidor. Além disso, Reze também descartou um reajuste de preços nos veículos com a retomada das vendas - o que seria um "ato inamistoso", já que o governo abriu mão de receita pra fazer o mercado reagir.
Entre a previsão de crescimento para este ano, o setor que deve registrar a menor alta é o de motocicletas, com 1,7%, segundo a Fenabrave. "Isto se deve ao perfil do consumidor, que está na base da pirâmide e tem menos acesso ao crédito", explicou Reze.
Apesar do crescimento no acumulado do ano, a rentabilidade do setor de varejo é considerada péssima pelo presidente da entidade e vem acumulando perdas desde outubro.
As informações são do Terra