Rio - David Wilian Oliveira de Sousa não é alquimista, mas usou a química para gerar ouro para o Brasil. Aos 18 anos, o aluno do último ano do Cefet de Química de Nilópolis conquistou uma medalha de ouro na 13ª Olimpíada Ibero-Americana de Química, realizada entre os dias 14 e 22, na Costa Rica.
O estudante foi o melhor colocado entre os candidatos da América do Sul e ficou na terceira colocação entre 54 alunos dos 15 países participantes. A competição distribui seis medalhas de ouro.
O jovem morador de São João de Meriti também coleciona títulos no Brasil. Ano passado ficou em primeiro lugar na Olimpíada Estadual de Química e em sétimo na Nacional, tendo obtido ainda a 23ª colocação na estadual de Matemática. “Isso é um dom”, crê o estudante, que pretende cursar faculdade na área para se tornar pesquisador e professor.
Ele conta que se preparou para a competição desde o ano passado, praticamente sozinho. “O programa da olimpíada é extenso, com matérias que aqui no Brasil nem são de Ensino Médio, e sim de faculdade”, explica.
Tanto sucesso é explicado pela rotina de David. “Estudo de manhã e de tarde. Quando estou em casa, gosto de ler sobre química”, conta o jovem, que reconhece que tem fama de ‘nerd’ pelas altas notas numa disciplina que em geral causa terror nos estudantes. “Isso é dele mesmo. Só vive com a cara enfiada nos livros”, conta a mãe, Cláudia de Oliveira.
FAMÍLIA FEZ SACRIFÍCIOS PARA A VIAGEM
Acostumado a viver em meio a livros, fórmulas e tubos de ensaio, David tornou-se exemplo de dedicação para os pais e irmã mais nova. “Não temos muito recursos, e ele se preparou sozinho. O resultado realmente surpreendeu”, afirmou o pai, o auxiliar de produção Clauver Moraes, 39 anos.
Única ‘fonde de renda’ da casa, ele precisou desembolsar R$ 2.500 para equipar o filho para a viagem. O governo só custeou a passagem aérea e hospedagem. “Foi um sacrifício, mas David se destaca. É uma estrela que começou a brilhar mais forte”, orgulha-se.