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15/08/2008 02:27:00

Chegam ao fim os anos dourados

Estado extinguirá o tradicional curso Normal do Instituto de Educação, antiga referência na formação de professores

Daniela Dariano


Rio - Fundado há 128 anos, o Instituto Superior de Educação do Rio (Iserj), na Tijuca, está prestes a virar uma página da história do Rio, decretando o fim dos ‘anos dourados’, nome da minissérie de TV que usou a unidade um de seus cenários principais. O curso de formação de professores, pioneiro no estado e motivo de criação do instituto, chega ao fim em meio a críticas de pais e alunos, que se queixam do abandono do colégio.

Já há dois anos não há vestibular para ingresso de alunos no curso superior Normal na unidade, que é mantida pela Faetec, subordinada à Secretaria de Ciência e Tecnologia do estado. “O curso Normal Superior terminou pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Não está havendo vestibular porque a LDB não reconhece mais. O correto é ter uma faculdade de Pedagogia e já existe uma funcionando no campus da Uerj no Maracanã. Não tem sentido ter uma do lado da outra”, justifica o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso.

Professores antigos, alunos perto de se formar professores no Iserj, pais de estudantes e ex-alunos do Normal lamentam o que consideram descaso com importante capítulo da história da educação. Embora o destino do prédio não esteja definido, especula-se que será transformado em centro de formação técnica e tecnológica. Está em negociação o remanejamento dos alunos do Normal para a Faculdade de Pedagogia da Uerj.

“O prédio está muito desperdiçado. Poderiam transformá-lo num centro de formação de professores ligado à universidade, como um campus da Uerj, mantendo os outros níveis de ensino para serem usados em estágio. Poderia haver cursos de atualização e aperfeiçoamento dos professores”, sugere Bertha do Valle, professora da Faculdade de Educação da Uerj formada, nos anos 50, no curso Normal do Iserj. A ex-aluna lamenta o abandono do prédio: “Fiquei muito triste de ver aquilo da última vez que fui lá”.

PAIS AJUDAM FAZENDO MUTIRÕES

A pintura numa das áreas da extensa unidade (são 18 mil m² e 4.300 alunos de creche, educação infantil, ensinos Fundamental, Médio e curso Normal Superior) está sendo feita graças a doação de tinta. O papel de parede nos corredores da Educação Infantil foi adquirido com verba arrecadada na festa junina e a mão-de-obra, muitas vezes, é de mães voluntárias. “A manutenção é feita com mutirões”, conta Ana Lúcia Victor, da Associação de Pais de alunos do Iserj.

O secretário Alexandre Cardoso afirma que o prédio, por ser tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, exige cuidados e burocracia para realizar consertos.
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