Rio - Valorizar pessoas e meio ambiente não é um modismo organizacional: é o caminho para o sucesso. Segundo Renato Bernhoeft, consultor especializado em empresas familiares, uma sociedade empresarial se fortalece na medida em que desenvolve formas, mecanismos e posturas para administrar seus conflitos. E numa sociedade familiar esses conflitos podem nascer na família, na própria relação pessoal e nas eventuais divergências ou lutas pelo poder na própria empresa.
"Poucos compreendem a importância de se preparar para atuar como sócio ou acionista de uma empresa. Esquecem que o que herdarão é um pedaço de uma sociedade com sócios que não tiveram a liberdade de se escolherem. Muitos, ainda, embora bastante preparados para o exercício da gestão, tornam-se arrogantes e querem adotar posturas de 'dono', sem se lembrarem que 'dono', de fato, só existiu um, o fundador da empresa."
Esse quadro, que pode levar muitos profissionais de valor a evitarem empresas familiares, pode ser significativamente alterado por meio de processos de gestão de pessoas em empresas familiares que compreendam a importância do novo. Bernhoeft assinala que a carreira em uma empresa familiar, para um executivo que não faz parte da família, pode ser muito recompensadora, dadas as características importantes que diferenciam essas empresas de multinacionais.
"Uma das reações e problemas que as grandes empresas multinacionais têm enfrentado é uma certa passividade dos seus executivos pelo fato de que suas carreiras, de maneira geral, são muito verticalizadas, o que os torna profissionais com visão limitada. Na empresa familiar é possível ampliar, consideravelmente, esse ângulo de visão. Um executivo terá a possibilidade de transitar, com maior facilidade, por várias áreas da empresa. E, na medida em que se disponha a fazê-lo, amplia o conceito e a prática das diferentes interfaces que a empresa possui. Isto o torna muito mais flexível e com maior capacidade para uma atuação estratégica", afirmou.
Grupos como Votorantim, Gerdau e Sadia são exemplos de grandes empresas familiares valorizadas, inclusive, no mercado de ações. Seus papéis chegam a subir acima da média em pelo menos metade dos casos. Um artigo de Alexandre Di Miceli, pesquisador-chefe do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, mostra que 46% das empresas familiares brasileiras já estão no nível 2 de governança ou no chamado Novo Mercado. Em 40% dessas empresas, a família saiu da direção executiva, permanecendo apenas como acionista. Miceli vai mais longe: numa análise de 15 companhias familiares, a margem Ebitda (indicador de rentabilidade da sigla em inglês que significa Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) em 2005 supera a média de 14%, atingindo quase 20%.