Há anos as estatísticas comprovam que tanto nos países desenvolvidos como no Brasil as grandes empresas estão progressivamente eliminando postos de trabalho. A redução é drástica. Um motivo para isso acontecer é a maior eficiência dos processos de trabalho das organizações, que precisam menos pessoas para fazer o mesmo volume de trabalho.
“Mas também há uma mudança nas relações de trabalho. Hoje há mais cooperativas, pequenas empresas que prestam serviços, a grande empresa terceiriza muito mais do que antes”, explicou Silvina Ramal, Coordenadora de Pós-Graduação em Empreendedorismo da PUC-Rio.
Outro motivo é o crescimento da capacidade empreendedora do brasileiro. A cada ano que passa, os alunos chegam aos bancos universitários com uma postura muito mais empreendedora, e cada vez mais jovens sonham com o próprio negócio.
“Quando eu fiz graduação, as pessoas em geral sonhavam em trabalhar numa empresa grande. Isso vem mudando radicalmente”, pontuou a professora.
Os novos tempos indicam que é necessário formar jovens com novos paradigmas empresariais, que tenham competência e criatividade para desenvolver empreendimentos de sucesso. As universidades têm feito isso através do desenvolvimento de programas de empreendedorismo, incubadoras de empresas, e também da reformulação de suas grades curriculares.
“O IAG da PUC-Rio tem duas disciplinas de Gestão de Pequenas Empresas, além de ter muitos professores que conhecem ou trabalham no setor. Outro avanço nesse departamento foi a inclusão do plano de negócios como alternativa de monografia de fim de curso, o que é muito positivo”, destacou Silvina Ramal.
Qualificação é fundamental para sobrevivência das pequenas empresas
Especialistas e empresários de sucesso concordam que a universidade é um ambiente mais propício à formação empreendedora do que as faculdades ou instituições de ensino focadas apenas em uma área do conhecimento. A explicação parece simples: escolas de negócios poderão formar excelentes gestores de empresas, mas terão chances menores de formar empresários de sucesso; já na universidade, o jovem terá contato com diferentes áreas do conhecimento e acesso a uma formação mais abrangente e multidisciplinar.
“Além disso, é provável que no período de formação superior ele conheça sócios para futuros empreendimentos. Numa universidade, poderá interagir com jovens de formações complementares à sua. As jovens empresas de sucesso são, em grande parte, formadas por sócios com competências heterogêneas: por exemplo, dois engenheiros, um administrador, um comunicador”, explicou Silvina Ramal.
É fato que as pequenas empresas são, hoje, responsáveis pela grande maioria dos novos empregos gerados no país. Estatísticas mostram que houve uma pequena queda na taxa de mortalidade das pequenas empresas nos últimos anos. O que, certamente, está muito ligado à questão de uma maior qualificação.
“Mas ainda há muito por fazer. É preciso pensar em programas de formação que estejam mais direcionados para o perfil do empreendedor brasileiro”, afirmou a especialista, destacando que o jovem empreendedor deve ter uma maior visão política e se unir para lutar, junto ao Governo, por melhores condições de trabalho e competição.