Rio - O presidente da Comissão de Educação do Senado, Cristovam Buarque, condenou, ontem, o projeto de lei aprovado na quinta-feira pela Câmara dos Deputados, reservando 50% das vagas nas universidades e escolas técnicas federais a alunos de escolas públicas e negros. “Acredito que não vai passar de maneira nenhuma pelo Senado", disse Buarque. Para entrar em vigor, o projeto deverá ser aprovado pela comissão, que deve votá-lo em 2009.
Um dos artigos mais controversos é o fim do vestibular para alunos que se candidatarem às vagas para cotistas. A seleção seria feita pelas universidades, com base na média das notas dos estudantes no Ensino Médio em escolas públicas. “Escolas vão começar a dar 10 a todos. Até o sistema de sorteio de vagas é mais honesto”, disse ele.
O programa de avaliação seriada, há 11 anos em prática na Universidade de Brasília, substitui o vestibular por provas anuais no Ensino Médio. Projeto de lei que aguarda votação na Câmara prevê que 50% das vagas nas universidades públicas sejam feitas pelo método.
Reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), com seu próprio sistema de cotas para estudantes de escolas públicas, o professor Roberto de Souza Salles duvida da eficácia da extinção do vestibular: “Poderia ser feito gradualmente, após a melhoria das escolas públicas, no Ensino Fundamental e Médio”. Desde 2006, estudantes do ensino público candidatos a uma vaga na UFF ganham um bônus de 10% dos pontos nas notas no vestibular.
Cotista da Uerj da turma de 2005, a estudante de Direito Mariane Oliveira, 22 anos, é a favor da separação entre as cotas social e racial.
O líder do movimento negro na luta pelas ações afirmativas, Frei David dos Santos, da ONG Educafro, comemorou o projeto. (Colaborou Amanda Pinheiro)
SISTEMA DIVIDE OPINIÕES ENTRE ALUNOS DA UFF
Na Universidade Federal Fluminense (UFF), a aprovação do sistema de cotas divide opiniões. Alunos originários de colégios particulares classificam como forma de preconceito. “Os alunos privilegiados pelo sistema de cotas não se preparam para o vestibular porque a relação aluno/vaga é bem menor”, opina Sylvia Leite, 18 anos, aluna de Letras.
Outra crítica ao sistema de cotas é da estudante Elisiane Mendes, 24. A jovem atende a dois dos critérios para ser beneficiada pelas cotas por ser negra e ter estudado em escola pública a vida toda, mas não apóia a proposta. “Entrei para a universidade, competindo com ex-alunos de colégios particulares porque me esforcei”.