Rio - A gestão de risco corporativo é essencial em alguns casos, por exigência legal. Em outros, é questão de transparência da operação da empresa que ajuda a fortalecer a governança corporativa e contribui para a eficiência operacional. Outro ganho é dar maior credibilidade à empresa, o que facilita a busca por investimentos, sócios ou na abertura de capital.
"A gestão de riscos, além de ajudar na captação de recursos, é uma forma de proteger os acionistas contra eventuais fraudes contábeis ou conflitos de interesse", afirmou Elizabeth Gomes, doutora em Inteligência Competitiva pela Coppe/UFRJ.
Estados Unidos, França, Canadá e Japão são exemplos de países onde as empresas já incorporam a gestão de risco, tmbém conhecida como Inteligência Competitiva, no seu processo de tomada de decisões. O Brasil só começa agora a utilizar essa ferramenta de forma eficaz na busca pela conquista ou manutenção de uma vantagem nesta área.
Segundo Elizabeth, que também é gerente da área na empresa de consultoria TW, apesar de terem iniciado suas atividades com um certo atraso em relação ao mundo, os profissionais da área no país são perfeitamente capacitados. E o que é melhor, há uma demanda crescente para eles no mercado.
"No Brasil, identificamos diversas barreiras, externas e internas, às empresas que ainda hoje dificultam a abordagem mais direta a esta questão. Mas essa cultura corporativa vem mudando gradualmente, desde os anos 1990, que apresentaram um expressivo crescimento do setor por causa da abertura do mercado nacional a empresas estrangeiras."
A tendência, segundo a especialista, é que a presença de profissionais de inteligência competitiva seja cada vez mais assídua dentro das empresas, em virtude da convergência tecnológica e da abrangência de conteúdos, o que se reflete diretamente na abordagem ao cliente e nos preços dos serviços, a médio prazo. "Está longe de ser espionagem", disse Elizabeth, que já soma mais de 15 aos de experiência na função.
"Embora haja compra de informações, como pesquisa de mercado e outras ferramentas, o trabalho desse especialista consiste, basicamente, em captar e analisar informações internas e externas para auxiliar a tomada de decisão com menores riscos."
A melhor notícia é que para enveredar por este novo caminho profissional, não é preciso nenhuma reviravolta na carreira. É necessário, no entanto, elencar algumas habilidades inerentes ao serviço, como atenção, capacidade de raciocínio e hábito de leitura.
"Os cursos de especialização em Inteligência Competitiva podem ser feitos por profissionais de qualquer área de conhecimento. A função é bem semelhante à dos jornalistas; apuração, triagem, análise e redação de um relatório", disse Elizabeth Gomes.
No Rio, várias instituições de ensino superior, como a UFRJ, UniRio, ESPM, Estácio de Sá, FVG, o Ibmec e o Coppead, já oferecem o curso. Elizabeth ressalta apenas que os interessados fiquem atentos, pois algumas delas modificam a nomenclatura e fazem até algumas variações sobre o tema.
“No lugar de Inteligência Competitiva, dependendo da instituição, o curso pode aparecer na linha de Ciência da Informação. Ou, ainda, pode haver uma pequena variação na formação, dentro da área de análise de conteúdos, rede de analistas externos, ou até mesmo aparecer como projeto de consultoria, a exemplo do que a TW está implementando a partir deste ano.”