Elcio Braga e Maria Luisa Barros
Rio - As três melhores escolas do Brasil são do Rio de Janeiro. No ranking das 20 instituições com maiores médias no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2007, divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC), seis são do Estado do Rio e cinco de São Paulo. Entre elas, apenas cinco são públicas e todas federais.
Pela quarta vez, o Colégio de São Bento ficou em primeiro lugar (média de 82,96) na avaliação nacional, que reuniu 23 mil escolas públicas e privadas. A segunda maior média brasileira (82,04) ficou com o colégio Santo Agostinho do Leblon.
A novidade ficou por conta do Colégio MOPI (Moderna Organização Pedagógica Integrada), na Tijuca, que ficou com o terceiro lugar na avaliação geral, com 79,66 pontos. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), 2,7 milhões de estudantes participaram do exame. Os colégios de aplicação da UFRJ e da Uerj voltaram a repetir o bom desempenho de anos anteriores. O primeiro ficou com a 13ª posição entre as melhores escolas brasileiras e em terceiro lugar na comparação com os colégios públicos em todo o País. Já o CAp-Uerj conquistou o 2º lugar entre as escolas públicas do estado, atrás do CAp-UFRJ. Os Cefets também se destacaram no exame.
Aula integral e currículo bem diversificado
Único colégio ainda restrito a meninos, o São Bento, no Centro do Rio, prima pela formação cultural e moral de seus 1.060 alunos. Sob a liderança dos monges beneditinos, o colégio este ano comemora 150 anos de existência e o retorno ao topo do Ensino Médio no País. As salas não ultrapassam o limite de 35 alunos e no currículo, Cultura Clássica, Música, História da Arte, Filosofia, duas línguas estrangeiras (Inglês e Francês) e Ensino Religioso. Até o 5º ano, as turmas funcionam em horário integral, das 7h às 16h30.
Enquanto a média geral das escolas particulares ficou em 68,04 (máximo de 100), o Santo Agostinho tirou 82,04, mantendo disciplina e participação da família nas decisões da escola.Em terceiro lugar, o Colégio MOPI, na Tijuca, acredita que para se destacar no pelotão de elite do ensino é preciso falar a linguagem do aluno e tornar as aulas mais atraentes, sem abandonar o conhecimento. “Em vez de ensinar medidas em sala de aula, montamos um centro gastronômico onde os alunos aprendem pondo a mão na massa”, diz a diretora-geral Regina Célia dos Santos Canedo.
Formação sólida desde o começo
As escolas que se destacaram no Enem têm em comum a sólida formação de base dos alunos. Tanto as particulares, como São Bento e Santo Agostinho, como os CAps da Uerj e UFRJ se preocupam com o conhecimento transmitido aos pequenos desde as primeiras séries até o Ensino Médio. “Os alunos que fizeram o Enem são da primeira turma. Estão conosco desde o maternal”, diz a diretora-geral do MOPI, Regina Célia dos Santos Canedo.
Para a supervisora pedagógica do São Bento, Maria Elisa Penna Firme, o bom resultado dos alunos do 3º ano do Ensino Médio é resultado de anos de dedicação: “Não podemos fechar os olhos para o vestibular. Este ano, 93% dos alunos passaram para as públicas. Não é um trabalho de agora, mas desde a alfabetização”.
Entre as públicas que se destacam a receita é a mesma. Elas caminham junto desde o 1º ano do Fundamental. “Vemos o aluno chegar aos 6 anos e partir aos 18. É doloroso, mas ao mesmo tempo reconfortante vê-los sair para novos desafios”, diz Celina Costa, diretora do CAp-UFRJ.
Apesar dos problemas, bom exemplo
Instalações acanhadas, problemas na manutenção e falta de recursos. A descrição que se enquadra e justifica uma péssima escola se transforma em exemplo de superação. Os colégios de aplicação da Uerj e da UFRJ adotam receita simples para figurar entre as melhores do País: apostam no professor.
No Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira (CAp-Uerj), no Rio Comprido, a maioria dos professores tem títulos de mestrado, doutorado e pós-doutorado. “Bons resultados dependem de se estimular a qualificação do docente”, diz o diretor Miguel Tavares Mathias. Os mil alunos estudam pela manhã e contam com aulas e atividades extra-curriculares à tarde do Fundamental ao Médio.
No CAp-UFRJ, na Lagoa, o trunfo é o mesmo. “A escola tem um projeto político pedagógico sólido e trabalha na formação de professores. São 450 universitários que fazem estágio e auxiliam os mestres”, diz a diretora Celina Costa. São 28 turmas (750 alunos) do Fundamental ao Médio, com turnos de manhã e à tarde.
Tanto sucesso atrai corrida pelas vagas. Mas depende da sorte. No CAp-Uerj, são sorteadas 30 vagas na 1ª série e outras 30 na 6ª série do Fundamental. No da UFRJ, 50 vagas no 1º ano e até 30 no 6º ano. Ano passado, houve só quatro vagas para 981 candidatos. No Médio, 1.241 inscritos passaram por prova de nivelamento: 304 aprovados disputaram 30 vagas.
A RECEITA
A receita da boa educação não depende de equações complicadas:
Professores — Apostar na qualificação dá resultado. “O professor antenado é um diferencial”, diz a professora Celina Costa, do CAp-UFRJ.
Extracurrículo — Aulas fora da grade oficial estimulam. No CAp-UFRJ, há Música, Arte Cênica e convênios com instituições de pesquisa.
Cultura — O aluno tem acesso a vasto universo cultural em passeios feitos pela escola. No CAp-Uerj, há visitas a museus.
Fidelidade — As melhores escolas têm em comum o acompanhamento do aluno desde o 1º ano do Ensino Fundamental.
Reforço — No São Bento, há estudo dirigido e reforço aos sábados. Os do Ensino Médio fazem três simulados por ano.