Rio - Na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), o cartaz indicativo do banheiro feminino agora quer dizer: permitida a entrada de mulheres, travestis e transexuais. A decisão, que também vale para o Hospital Universitário Pedro Ernesto, faz parte de uma série de compromissos firmados em maio pelo reitor Ricardo Vieiralves com o objetivo de combater a homofobia, preconceito contra homossexuais.
Posta em prática, a medida não é unanimidade entre os alunos. A estudante de pedagogia Jaqueline Santos, 23 anos, aplaude a medida. “Deve estimular as pessoas a aceitar o outro. É uma questão de costume”, diz ela. Já Lisandra Jerdy, 22, do mesmo curso, diz que se sentirá constrangida. “Já entrei e tinha um homem. Vou ficar na dúvida se ele está mal intencionado”, conta.
Entre os seis itens da carta compromisso está antiga reivindicação: o tratamento de travestis e transexuais por seus nomes sociais. A opção pode ser usada para inscrição no vestibular, matrícula, lista de chamada, além do convívio social em atividades acadêmicas. Outra medida garante o acompanhamento em consultas e internações no Hospital Pedro Ernesto de companheiros do mesmo sexo.
Mestre de cerimônias da Uerj e pesquisador de gênero e sexualidade na mídia, o jornalista Eduardo Peret explica que a idéia é incorporar travestis e transexuais ao gênero feminino. “A intenção é reduzir ao máximo a questão do preconceito. A idéia é a normalização do processo”, diz ele.
Publicitária e funcionária da Diretoria de Comunicação da Uerj, Cristiane Carvalho acredita que no início as pessoas podem estranhar, mas com o tempo se acostumam. Casada com uma mulher há dois anos, com quem oficializará união, e mãe adotiva de Vitória, 5 anos, Cristiane diz que os próprios homossexuais devem se assumir para que a sociedade os respeite. “Tem que mostrar a realidade no dia-a-dia. O reitor tem a mente para a frente, mas cabe a nós fazermos com que as pessoas encarem o homossexualismo com naturalidade”, avalia ela.
A mobilização contra a discriminação foi intensificada na I Conferência Estadual de Políticas Públicas para Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT), em maio.