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4/8/2007 19:58:00

Roger: 'Eu me sinto patrulhado'

Meia fala em parar daqui a quatro anos e desabafa: ‘Existe preconceito quando o jogador conversa de igual para igual com qualquer pessoa’

Marluci Martins


Rio - Será a primeira partida de Roger como titular do Flamengo. E, da mesma forma que se prepara psicologicamente para o jogo contra o Santos, o apoiador já traça sua aposentadoria: Roger, hoje com 28 anos, planeja jogar somente mais quatro. Não que ele esteja cansado do futebol. O que mata seus planos é o preconceito de que se considera vítima. Lá atrás, ainda menino, seus olhos verdes eram um obstáculo que tinha de driblar. O namorado da atriz Deborah Secco, num desabafo ao ‘Ataque’, lamenta que sua educação e fluência façam com que “as pessoas levem tudo para outro lado”.

Mesmo com a bola que você tem, sua contratação foi cercada de dúvidas. Existe algum preconceito contra você?

— Existe, sim. Quando um jogador começa a aparecer num outro nível, quando um jogador conversa de igual para igual com qualquer pessoa, levam para o outro lado.

Isso pode acontecer por você estar namorando novamente uma pessoa famosa?

— Acho que sim, mas não há como escolher isso. Aconteceu. Se levo a Deborah (Secco) a um restaurante, a um show ou peça de teatro, há sempre um fotógrafo por perto. Por isso, apareço tanto em revistas que não são de futebol. E nem gosto de dar entrevistas para essas publicações, porque tenho medo de prejudicar minha carreira. Mas ninguém pode dizer que bebo ou que saio à noite para dançar. Cumpro com minhas obrigações e horários e me alimento bem.

Você se sente de algum modo patrulhado?

— Isso me enche o saco. Só quero jogar mais quatro anos. O fato de eu pensar em pendurar as chuteiras quando tiver 32 tem muito a ver com isso. Amo o que faço, sou realizado, mas me sinto patrulhado. Eu me profissionalizei cedo, com 17 anos, e, por isso, perdi muito tempo da vida com viagem e concentração. Quero fazer faculdade de Física, matéria de que sempre gostei na escola. Era bom também em Química e Matemática.

O preconceito atinge aqueles que estudaram e nasceram num bom berço?

— Nem é por aí. Fui criado pela minha mãe e morava num prédio bem humilde, na Ilha do Governador, bem no pé do Morro do Dendê. Andava de ônibus pra cima e pra baixo e só fui comprar um carro, um Uno branco caindo aos pedaços, quando me profissionalizei. Só que eu tenho educação. Minha mãe me deu educação e sei me comportar bem em qualquer ambiente.

Já disseram pra você que jogador não pode ter olhos verdes?

— E como!!!! Nas divisões de base, era o que eu mais ouvia. Agora, ninguém diz isso. Eu dei certo na profissão, né? Mas estou ficando velho e meus olhos já não são tão verdes assim (risos).

Vai se casar?

— Estou namorando há oito meses. Não estamos planejando...

O namoro com a Adriane Galisteu terminou em amizade?

— Foi uma relação intensa, mas nunca mais falei com ela. Cada um reflete e depois a gente vê o que fazer.

Com o coração em ordem, o que você espera profissionalmente?

— Tirar o Flamengo dessa situação complicada. Não jogava desde abril, quando me machuquei, e só penso em dar qualidade a esse time para que a gente possa pensar numa classificação melhor.

Ficou faltando se firmar na seleção brasileira?

— Ainda dá tempo, né? Tenho que voltar a ter grandes atuações, e o Flamengo está montando um time bom.

Ficou faltando se firmar num clube europeu?

— Fiquei quase três anos em Portugal (Benfica) e, quando voltei, não era mais meu objetivo sair do Brasil. Financeiramente, sou um homem estabilizado. Consegui aqui no Brasil o padrão que o futebol internacional me daria.




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