Rio - Em momentos decisivos, todo esforço é válido e no Botafogo não há limite para dar vazão à superstição. Por isso, os dirigentes se mobilizaram ontem para manter a nova mascote, o cãozinho Perivaldo, no Rio para a primeira partida da semifinal da Copa do Brasil, contra o Corinthians, confirmada ontem pela CBF para a terça-feira, no Engenhão.
O dono de Perivaldo, o funcionário público Aldo Araújo, tem passagem marcada para João Pessoa no domingo. Procurado pelo colaborador Ricardo Rotenberg, avisou que não poderia adiar seu retorno à capital paraibana, por motivos particulares.
O dirigente, então, propôs que o cachorrinho fique no Rio sem o seu dono, sob a tutela do Botafogo. “Ele nos trouxe sorte e vale um esforço para mantê-lo conosco. Imagina se o Perivaldo vai embora e a gente perde? A torcida não vai nos perdoar nunca”, brincou Rotenberg.
O problema é que o novo mascote alvinegro é também a paixão da família de Aldo. A preocupação por deixá-lo sozinho no Rio é grande e causou apreensão, mas o coração alvinegro do torcedor está balançado. “O ‘Peri’ é como um filho para mim e para minha esposa. Ele dorme embaixo da nossa cama, é tratado a pão-de-ló. Mas não vou me perdoar se ele não ficar e o time perder. Quero fazer tudo para ajudar. Vamos ver se conseguimos encontrar uma solução que seja boa para todo mundo”, afirmou.
Embora seja torcedor fanático e membro de uma família toda de alvinegros, Aldo se mostrou surpreso com a repercussão do assunto. Impressionados pela mancha branca em forma de estrela que o cachorrinho tem no pêlo negro, os dirigentes do Botafogo convidaram Perivaldo para entrar em campo pouco antes da partida contra o Atlético-MG.
“Todo mundo estava gritando o nome do ‘Peri’, fiquei até emocionado”, diz Aldo. Coincidência ou não, o Alvinegro venceu por 2 a 0 e chegou às semifinais da Copa do Brasil. No caminho do título, mais duas partidas no Engenhão. Dessa vez ele veio ao Rio com recursos próprios e os próprios dirigentes não descartam pagar pelas passagens para que ele volte ao Rio para uma eventual final. Precavido como bom botafoguense, Aldo não quer pensar no futuro. “Vamos resolver a questão para esse jogo primeiro. Se conseguirmos chegar à final, aí é outra história”, finaliza.