Rio - O clima no Botafogo não é mesmo dos melhores. Além de sofrer com os salários atrasados, os jogadores ainda tiveram ontem um treino tumultuado, por causa do protesto de um torcedor exaltado, em General Severiano. E a situação pode piorar: se não vencer o Atlético-PR, hoje, às 18h30, no Engenhão, o Alvinegro completa cinco rodadas sem ganhar no Brasileirão. Com 49 pontos, o Botafogo aparece em nono lugar, na zona de classificação para a Sul-Americana.
A confusão aconteceu logo no início do treino, em General Severiano. Com notas de dinheiro na mão, um torcedor conhecido como ‘Serjão’ chamou os jogadores de mercenários e pipoqueiros. Foi o bastante para o atacante Wellington Paulista resolver tirar satisfações, mandando o torcedor calar a boca. Diguinho também não gostou nada do protesto, mas foi aconselhado a não tomar nenhuma atitude precipitada.
Quem apareceu para acalmar os ânimos foi o coordenador de futebol alvinegro, Marcio Touson. O jeito foi acionar um segurança para retirar o torcedor do local. Indignado, Serjão ainda avisou que compraria um título de sócio-proprietário do Botafogo, já que, assim, não poderia ser expulso do clube. Ele é integrante de um movimento que faz questão de dizer que não tem relações com as facções tradicionais.
O técnico Ney Franco criticou a atitude do torcedor alvinegro: “Foi um ato isolado de uma pessoa que veio para General Severiano e não é nem sócio do clube. Era apenas uma pessoa que, de repente, queria aparecer na TV e conseguiu. Se fosse toda a torcida, entenderíamos”, afirmou o técnico.
O meia Lucas Silva também reprovou a atitude, afirmando que o profissional precisa ser respeitado em seu lugar de trabalho. “É preciso ter tranqüilidade no centro de treinamento”.